Book* Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente

Barca do Céu e do inferno, em qual você queria ir?? Rs
Hi guys! Hoje a resenha é sobre o livro Auto da Barca do Inferno, que na verdade consiste no roteiro de uma peça teatral. Obs: Auto (latim: actu = ação, ato) é um sub-gênero da literatura dramática. Tem sua origem na Idade Média, na Espanha, por volta do século XII. Em Portugal, no século XVI, Gil Vicente first# é a grande expressão deste gênero dramático.
É um dos meus livros preferidos, mas confesso que de início quando eu (tentei) li pela primeira vez não sabia se continuaria a leitura, visto que o texto teatral conserva palavras bem arcaicas (antigas) das quais eu não tinha conhecimento do significado, o que fez com que eu tivesse que ver o rodapé do livro de 10 em 10 segundos (rs).
Deixei o livro de lado... e fui ler outros. Maas, certa vez na minha escola, apresentaram em um sarau, a peça Auto da Barca do Inferno, e eu simplesmente me ENCANTEI.
Os alunos-atores fizeram com que eu sentisse vontade imediata de reiniciar a leitura outrora desprezada (rs).
E então.., eu comecei a ler com vontade o livro..., e dou uma dica: vá lendo mesmo sem saber o significado das palavras (tente enquadrá-las no contexto), pois ficar olhando para o rodapé, atrapalha. Depois que terminar toda a leitura, volte e vá lendo os significados.
É uma peça de teatro curta..., li o livro bem rápido.
Tem um enredo muuuito legal, uma história um tanto curiosa, que realmente consegue hipnotizar nós leitores.
É de SUMA importância, nós sabermos que essa obra foi escrita em um período de TRANSIÇÃO da história do mundo, --> da Idade média para a Idade Moderna (esse período se chama Humanismo). Desta forma, Gil estava ligado tanto á cultura medieval (Idade Média) quanto á renascentista (Idade Moderna). O que eles costumam analisar nas provas, é se os alunos sabem as diferenças entre "as coisas" que pertencem ao Renascimento e as que pertencem á Idade Média, enfim... nós temos que saber diferenciá-las (é o que eu vou fazer na resenha, EEE \o rs alouca#).
Considerando que o pobre Gil Vicente estava dividido entre o passado (Id. Média) e o futuro (Id. Moderna), ele acaba expressando em Auto da Barca, seu conflito interno: ao mesmo tempo em que faz críticas á sociedade (postura moderna), ele ainda tem o pensamento voltado em Deus (postura medieval).
A peça , ao que tudo indica, foi apresentada pela primeira vez em 1517 na câmara da rainha D. Maria de Castela (Portugal), que estava "dodói". E aposto que assistir o Auto, ajudou ela a melhorar \o/
E segundo a edição original:
Ilustração da edição original
Foi composto para contemplação da sereníssima e muito católica rainha Lianor, nossa senhora, e representado por seu mandado ao poderoso príncipe e mui alto rei Manuel, primeiro de Portugal deste nome."
*A história: Esse Auto, é classificado pelo próprio autor como um “auto de moralidade”, é todo disposto em versos (o que facilita nossa leitura e não deixa a leitura cansativa).
O cenário é um porto imaginário, onde estão ancoradas duas barcas: uma que tem como destino o paraíso e o comandante deste é um anjo; a outra, com destino ao inferno, tem como comandante o diabo, que traz consigo um companheiro. De início, é apresentado ao leitor, este cenário e todo o contexto em que a história se inicia, mostrando as barcas e seus respectivos comandantes, tradicional oposição BEM X MAL.
As pessoas quando morrem, tem suas almas desprendendias dos corpos, e todas elas são obrigadas a passar por esse lugar para serem julgadas. Dependendo dos atos cometidos em vida, elas são condenadas à Barca da Celestial ou à do Inferno. Tanto o anjo quanto o diabo podem acusar as almas, mas somente o anjo tem o poder da absolvição. E é bem óbvio que todo mundo vai querer ir para o Céu, rs.
Daí, Gil Vicente traz um monte de personagens para a história. "É cada figura que apareece", rs..., são pessoas de vários tipos, Gil quis fazer uma crítica aos tipos que habitavam a sociedade.
Essas personagens são muito hilárias e a história delas mais ainda!
Eu rimuito# com as tentativas (fracassadas ¬¬') de ingresso á barca celestial, porém... poucos são os que conseguem ser perdoados.
O primeiro a enfrentar o julgamento, é o fidalgo que representa todos os nobres ociosos (isso é um eufemismo de vagabundo&preguiçoso, rs) de Portugal. Ele chega lá "todo, todoo", bem vestido e vem até com um pajem (criaado)!!
Porém o convencido acaba sendo condenado à barca do inferno por ter levado uma vida tirana cheia de luxúria e pecados (toooomaaa!). Ele é tão orgulhoso que até zomba do diabo, mas depois de ser rejeitado pelo anjo, o pomposo acaba se arrependendo (mas vai para o inferno do mesmo jeito).
O segundo é o onzeneiro (agiota) que simboliza o pecado da usura e a classe dos agiotas.
Ele "chega, chegaando" e até chama o diabo de parente, mas é condenado pela ganância, usura e avareza (toomaa!).
Tenta convencer o diabo a deixá-lo voltar para buscar o dinheiro acumulado que deixara (vê se poode?) !!!!!! Mas esse aí também vai para o inferno (rs).
O terceiro, é o parvo (comum, pouco inteligente), ele representa o povo português, rude e ignorante, porém bom de coração e temente a Deus (esse é do povãão \o/). O coitado não tem nada, é recebido pelo diabo, que tenta convencê-lo a entrar em sua barca, mas ao descobrir que a barca vai para o inferno, o parvo xinga o diabo e vai até a o batel da glória. Ao anjo, ele diz não ser ninguém e, por causa da sua humildade e modéstia, a sua sentença é a glorificação(AEEE, finaaaalmente, alguém com alma boaaa \o), esse vai para o Céu.
Em seguida, entra em cena o sapateiro, que representa aqueles comerciantes ambiciosos. Imaginem só, que ele traz consigo todas as ferramentas necessárias para a execução do seu trabalho. Ao saber o destino da barca do inferno, ele recorre ao anjo, mas sua tentativa é vã e ele é condenado por roubar o povo com seu ofício durante 30 anos e por sua falsidade religiosa (HAAHAA, toomaaa!).
Depois, vem o frade que representa os maus sacerdotes. Ele chega com a AMANTE (seem vergonhaa!), usando as vestes religiosas. O frade indigna-se quando o diabo o convida a entrar em sua embarcação, pois acredita que seus pecados deveriam ser perdoados, uma vez que ele foi um representante religioso (MORRIDERIR#). Então ele, segue até o batel da glória, onde o anjo sequer lhe dirige a palavra (beem feito, farsante), tamanha a sua reprovação, cabendo ao parvo a tarefa de condenar o frade à barca do inferno por seu falso moralismo religioso.
Por sua vez, chega Brísida Vaz, uma mistura de feiticeira com alcoviteira (cafetina),simboliza a degradação moral e a feitiçaria popular.
Ao ser recebida pelo diabo ela declara possuir muitas jóias e três arcas cheias de materiais usados em feitiçaria. Mas seu maior bem são suas 600 prostitutas (mulherzinha, &%$#$&). . Ao saber qual era o destino do batel infernal, ela vai até à barca do anjo e, com um discurso semelhante ao usado nas artes da sedução, tenta convencer o anjo a deixá-la embarcar. Mas essa tentativa é inútil, pois ela é condenada à barca do inferno pela prática de feitiçaria, e prostituição (se ferroou boniiito, aaee \o/).
O próximo personagem é o judeu e seu bode kkk (símbolo do judaísmo), representa os infiéis, que são alheios à fé cristã. Ele dirigi-se ao diabo, que recusa-se a levá-lo (Oo). Então o judeu tenta subornar o diabo, mas esse, sob pretexto de não levar bode em sua barca, o aconselha a procurar a “outra” barca (HAHA). O judeu então tenta aproximar-se do anjo, mas o parvo o impede, alegando que ele em vida desrespeitou o Cristianismo.
Mas, por fim o diabo acaba levando o judeu e bode rebocados em sua barca. O motivo de tanta discriminação ao judeu deve-se ao fato de ter existido, durante o reinado de D. Manuel, uma intensa perseguição aos judeus e aos cristãos novos, que tinha o objetivo de expulsa-los do território português (credo, isso até parece coisa do Hitler @#$#@). Poréém, vale lembrar que, apesar de haver um ataque aos judeus no “Auto da Barca do Inferno”, nas demais obras de Gil Vicente existe uma condenação à perseguição sofrida pelos judeus e cristãos novos (uhúúú \o).
Depois do judeu, vem o corregedor (juíz) representa a burocracia jurídica da época. Ele traz consigo vários processos . Ao ser convidado a embarcar no batel infernal ele começa a argumentar em sua defesa (HAHA). No meio da conversação, chega o procurador, trazendo consigo vários livros (rachei#). Ao ser convidado a embarcar, ele também se recusa e os dois representantes do judiciário conversam sobre os crimes que cometeram juntos e seguem para a barca da glória. Lá chegando, o anjo, ajudado pelo parvo, não permite que eles embarquem, condenando-os ao batel infernal por usarem o poder do judiciário em benefício próprio (tooomaaa!).
Obs*** Notem que esses dois personagens utilizam em sua defesa vários termos em Latim, misturados à Língua Portuguesa. Esse efeito de adulteração da Língua Latina, aliado a má índole dos dois, remete a idéia de que tanto a língua dos juristas quanto os que a usam estão sendo corrompidos (farsáárioos).
E ainda por cima dentro da barca literalemente infernal (rs), o corregedor e o procurador fazem companhia à Brísida Vaz, mostrando assim que eles se conheciam muito bem.
O próximo personagem a entrar em cena é o enforcado, é o símbolo da falta de fé e da perdição (corrupção nos meios burocráticos).
Ele acredita que a morte na forca o redime dos seus pecados (mal sabe ele), mas isso não ocorre e ele é condenado. Tudo indica que o enforcado cometeu vários crimes em nome de seu chefe Garcia Moniz.
Os últimos personagens a entrar em cena são os quatro cavaleiros que morreram nas cruzadas em defesa do Cristianismo, representam as cruzadas contra os mouros e a força da fé católica.
Eles passam cantando pelo batel infernal, o diabo os convida à entrar, mas eles seguem em direção ao batel da glorificação, onde são recebidos pelo anjo. O fato de morrer pelo triunfo do Cristianismo garante a esses personagens uma espécie de passaporte para a glorificação (Iupi \o).
Assim, o livro (teatro) chega ao final..., viram como é curtinho e muitooo legal?
Contabilizando aqui..., uhnn... temos um total de 16 almas julgadas (entre elas a de um bode, kkk) e apenas 5 foram para o Céu!!! *O* Meeu Deeus, o mundo estava perdido desde aquela época!!! MORRI# Rs..
Geente, leiam esse livro e se tiverem oportunidade, assistam a peça, ambos são MARAA.

*** Sobre os aspectos estéticos do livro:
* FOCO NARRATIVO: 3ª Pessoa. O Auto possui um único ato, dividido em cenas, nas quais predominam os diálogos entre as almas, que estão sendo julgadas, com o anjo e com o diabo
* TEMPO: Com relação a tempo, pode-se dizer que é psicológico, uma vez que todos os personagens estão mortos, perdendo-se assim a noção do tempo (rs, quem liga para o tempo quando já está moorto?).

* PERSONAGENS: Os personagens do Auto, com exceção do anjo de do diabo, são representantes típicos da sociedade da época. Eles raramente aparecem identificados pelo nome, pois são designados pela ocupação social que exercem, como vimos.

*ARTIFÍCIOS DE LINGUAGEM: A obra é escrita em tom coloquial (povãão), ou seja, a linguagem aproxima-se a da fala, revelando assim a condição social das personagens.Foi escrita em versos rimados, fundindo poesia e teatro, fazendo com que o texto, cheio de ironia, trocadilhos, metáforas e ritmo, fluísse naturalmente.

*ESCOLA LITERÁRIA: HUMANISMO (de Portugal) que pregava a ideia do Antropocentrismo (Homem como centro do Universo), como vimos no início do post..., uma transição entre Idade Média para Idade Moderna, ou seja, há um pouco das características das duas épocas no Auto.
As referências religiosas, as imagens de Deus e do diabo, por exemplo, são medievais (Id. Média). Já o antropocentrismo e o interesse de Gil Vicente em abordar questões da sociedade humana, construindo os tipos, são do Renascimento (Id. Moderna).

~* Linguagem simples, história muitíssimo curiosa e divertida, leiaam!
* Links para estudo *
~* Análise COMPLETA da obra
-
Guia do Estudante
- Algo Sobre
- Wikipédia

P.S: Esse livro faz parte da trilogia dos Autos da Barca (do Inferno, do Purgatório, do Céu), quero muito ler os outros
dois *-* .

XoXo, Thay ;*

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