Book* Capitães da Areia - Jorge Amado

Hello everybody! Agora finalmente é a vez do famoso livro: Capitães da Areia, publicado em 1937.
Resolvi deixá-lo um pouco para o final, porque eu meio que fiquei com ele gravado na memória por conta de um acontecimento trágico# (que eu vou contar siim) Rs
O livro que li tinha essa capa (:
Não faltaram oportunidades para que eu lesse esse livro antes do vestibular, porém eu me recusava terminantemente a lê-lo. Por quê? Porque me diziam que a história era beeem REAL e também "pesada". Todos sabem que eu saio correndo de livros que contenham coisas muito "fortes", rs.
Maas, finalmente tomei coragem e fui ler (tudopelaUnicamp#)... E seja o que Deus quiser...
Era o livro que eu mais temia...! Só que o nosso confronto era inevitável... tsc tsc.
Maas, para o meu grande espanto, o livro me prendeu de uma tal maneira!
Eu quis conhecer toda a história que ele continha, quis entrar em contato com a realidade... para tentar entender como era a vida dos meninos de rua.
Jorge Amado, conseguiu de maneira espetácular, relatar uma camada da sociedade tão complicada de entender, como a das crianças marginalizadas.
Então, quando eu estava terminando de ler o livro..., sentada em frente de uma escola de Campinas, observei dois flanelinhas, senti vontade de ajudá-los de alguma forma..., passei a compreender bem mais com a leitura do livro.
Porém, eu não desconfiei que esses garotos pudessem fazer o que fizeram...
Um deles veio tentar me assaltar..., disse que ía me matar se eu não desse á ele o meu celular.
Foi aí que eu me lembrei de todo o esforço que eu tinha tido para conseguir aquele celular (sooofrii para conseguir), para vocês terem uma ideia... fiquei chorando uma semana tentando convencer meu avô a abrir um crediário para mim, paguei dez prestações e tudo o mais.
Então, não sei o que me deu..., uma revolta misturada com força...
Cometi a estupidez de saír correndo e não dar o celular. Graças á Deus ele não estava armado e o final foi feliz.
Depois disso, me lembrei do lado ruim da história dos Capitães da Areia... Jorge Amado mostra o pensamento que eles tem, por conta do sofrimento, eles cometem crimes... porque a vontade de sobreviver é maior.
NÃO reajam diante de um assalto, eu fui muito burra em não ter dado o celular, pois se ele estivesse armado: Adeus Thay!
E esse %$%#$$ de celular, quebrou essa semana, rs.
Vooltando ao livro, rs... ou melhor, já vou resenhar;

*A história: Capitães da Areia retrata o cotidiano e a infância difícil dos meninos de rua da Bahia.
Jorge Amado, através dessa história, procura mostrar não apenas os assaltos e as atitudes violentas da bestializada vida destes, mas também as características e os pensamentos ingênuos, que toda criança tem.
O livro começa com uma reportagem de jornal, fictícia, que conta um crime que eles julgam ter sido cometido pelo grupo de meninos de rua que se chama Capitães da Areia.
Depois da reportagem, encontramos cinco cartas de leitores desse jornal. As duas primeiras são, respectivamente, do secretário do chefe de polícia (que atribui ao juiz de menores a responsabilidade pelos atos criminosos dos Capitães da Areia) e do juiz de menores (segundo o qual a tarefa de perseguir os menores é do chefe de polícia).
A terceira, é uma oposta... A remetente é uma mãe que teve o filho preso no reformatório. Ela narra os horrores que eram praticados ali contra os menores infratores (o lado sujo da segurança pública).
Filme -  Capitães da Areia
Em seguida a outra carta, por sua vez, é do padre José Pedro (importante personagem e aliado dos garotos ), que confirma a denúncia anterior, citando sua experiência no reformatório (nãão o padre não tinha sido preso no reformatório! Rs), ele apenas visitava o local para levar conforto espiritual aos meninos (coitado do padre). A última carta é do diretor do reformatório. Em seu texto, o diretor (impostor, quero dizer, rs) nega os maus-tratos dispensados aos menores na instituição que dirige, o que é uma MENTIRA DESLAVADAAA , como se poderá observar no decorrer do livro.
Colocando esses cinco tipos de texto, Jorge Amado quis dar um "ar" de veracidade á trama.
Quis mostrar que apesar do livro ser um romance, revela uma situação social real, que apesar de esses meninos de rua... praticarem crimes horríveis, estes também sofrem um descaso muito grande por parte das demais camadas sociais.
E no decorrer do livro, nós conhecemos todaa a história dos Capitães da Areia e consequentemente, os meninos de rua, membros deste grupo.
São muiiiito interessantes, as histórias em que eles se envolvem... e todos eles nos tocam de maneira demasiada profunda. São personagens intensos, com passado e presente surpreendentes.
Pedro Bala é o chefe do grupo, que rouba para sobreviver, ele é muito ágil como o próprio nome diz.
Sem Perna, Pirulito, O Professor são os mais destacados, há também João Grande, Volta Seca e Boa Vida.
Seus nomes foram dados, de acordo com suas características marcantes.
Cada um deles tem uma história, uma personalidade e uma função, o desenrolar da trama baseia-se nas encrencas (e são muuitas!) em que eles se metem.
O padre José Pedro, de que se fala no início, é muito amigo dos Capitães da Areia, e sente sincera vontade em ajudá-los a "sair dessa vida".
Apesar de tudo, esses meninos, respeitam muuuito a religião e o folclore da Bahia (HAHA, vejam que eles tem como ídolo: o Lampião!). Se dão bem com o padre, com a mãe-de-santo, etc... Rs.
No entanto, a Justiça... neem ligava para eles, exceto quando roubavam alguém de status elevado, a impresa claramente estava do lado da "Justiça", "metendo a boca" nestes.
Os meninos, praticam crimes... cometem um monte de burrices e pensam como verdadeiros marginais, mas também vivem e agem como muitos jovens nas mesmas circunstâncias, enfrentam o Governo, moram escondidos e garantem o pão roubado dos ricos.
Jorge Amado mostra ao leitor, que apesar de praticarem tantas coisas ruins, essas crianças, também tem coração e o que realmente querem é a felicidade (quem não quer, não é meesmo? Rs).
Com a leitura, nós percebemos que por traz de uma aparência maldosa, um olhar feio e tudo o mais, há seres humanos, com anseios e capacidades como qualquer outra pessoa.
Você acaba compreendendo, porque muitos jovens entram nessa vida de crime e adquirem pensamentos tão negativos.
O que eles maais precisam, é do que com certeza todos nós precisamos: Amor.
Este é o sentimento de que esses garotos mais sentem falta e essa ausência acabou degradando a alma destes, levando-os a não ter esperanças, a não sentir bondade... achando que felicidade é ilusão.
Acho importante, conhecermos alguns capítulos da obra, porque são considerados relevantes para os vestibulares (: Um deles é maravilhooosooo e foi o meu preferido THEBEST#, ele se chama:
“As Luzes do Carrossel”, apresenta um ENOOORME contraste com os demais capítulos do livro.
Nele, os meninos criminosos, considerados de extrema periculosidade, deliciam-se e esbaldam-se ao brincar em um carrossel (em estado de decadência, rs, ferrovelhoo#), bricaam e brincam com a maior despreocupação.
Contrasta com os demais capítulos, poiis nestes, os garotos encontram-se desesperados, na luta pela sobrevivência.
Mostra que o carrosel, devolve a infância roubada destas crianças... porque crianças não devem ter preocupações na cabeça, estas cabem aos adultos. No lugar da fome, nós vemos a música, a cidade é vista como um graande brinquedo e não como lugar perigoso nesta luta para sobreviver, percebemos o carinho de irmãos... entre os membros do grupo e não a solidão que os acompanham durante o romance.
É a inocência infantil no lugar da consciência da vida adulta. Neste capítulo nós conhecemos a essência destas pobres crianças marginalizadas.
Nos revela, que eles são marginais porque possuem carência de tudo o que podia conter em uma infância feliz.
Vemos que eles beem lá no fundo, não querem ter essa vida, tanto é que esquecem de tudo e brincam com gosto, no carrossel. Jorge Amado neste, critica a opinião da sociedade que acredita que esses jovens (a maioria casos perdidos) não tem recuperação e devem ser jogados á traças no reformatório. Mas na verdade, eles realmente são apenas crianças desamparadas.
Ahhh gente, é emocionante esse capítulo! *O*
Outro capítulo que mostra isso, é o chamado: “Família”.
É um dos que mais gostei também, porque mostra a carência afetiva de um dos membros do grupo, o Sem-Pernas. O menino manco era o que maais sabia fingir, dissimulado que só (podia ser ator da novela das 8, rs), por isso ele é designado para ser espião do bando na mansão de um casal beem rico. Ele aparecia na porta das mansões, fingindo ser um pobre órfão e então pedia um lugar para morar. Enganava tooodo mundo, mas enquanto isso... observava onde os moradores guardavam os bens valiosos, informava ao grupo para todos eles, posteriormente invadirem a casa e roubá-la. Porém, percebemos que o Sem-Pernas diante de todo o carinho oferecido pelo casal, sente-se receoso em cometer um golpe contra eles. Ele se sente feliz lá, amado... tem tudo o que uma criança poderia querer, possui uma família de verdade... Entra em conflito com ele mesmo, mas no fim, acaba assaltando a casa.
Mais um capítulo importante é o designado: “Dora, Mãe”.
Pedro Bala encontra uma garota chamada Dora na rua e tenta fazer um grande mal com ela, maas ela é protegida pelo Professor e pelo João Grande, e dessa forma, consegue escapar do estupro.
A partir daí, Dora começa a viver com eles, e acaba conquistando o respeito dos meninos, que passam a vê-la como uma mãe *-* , já que a figura materna havia muito ausente na vida deles. Apenas Pedro Bala é que começa a amá-la como uma esposa.
Este fica fascinado com as histórias de seu pai sindicalista, vai se envolvendo com isto e então finalmente os Capitães de Areia ajudam numa greve. Pedro Bala transforma numa espécie de grupo de choque, os Capitães da Areia e em seguida, os deixa, para tornar-se um líder revolucionário comunista *O*/
A história tem como desfecho, a esperança de salvação desses meninos abandonados pela sociedade, que não são casos perdidos e sim casos esquecidos.


*** Sobre os aspectos estéticos do livro:
* FOCO NARRATIVO:3ª pessoa, narrador onisciente (é que nem vizinha fofoqueira, ele sabe de tuuudo). Essa característica narrativa possibilita que seja cumprida uma tarefa facilmente notada pelo leitor: mostrar o outro lado dos Capitães da Areia. O narrador, ao penetrar na mente dos garotos,mostra ao leitoor todos os sentimentos puros e profundos deles.

* TEMPO: Tempo cronológico demarcado pelos dias, meses, anos e horas conforme exemplificam os fragmentos: "É aqui também que mora o chefe dos Capitães da Areia, Pedro Bala. Desde cedo foi chamado assim, desde seus 5 anos. Hoje tem 15 anos. Há dez anos que vagabundeia nas ruas da Bahia."

O tempo psicológico correspondente às lembranças e recordações constantes na narrativa.

A fala de Zé Fuinha (...) "Quando terminaram, o preto bateu as mãos uma na outra, falou:

- Teu irmão disse que a mãe de você morreu de bexiga...
- Papai também...
- Lá também morreu um...
- Teu pai?
- Não. Foi Almiro um do grupo."

* ESPAÇO: BAHIAA \o .A narrativa se desenrola no Trapiche (hoje Solar do Unhão e o Museu de Arte Moderna); no Terreiro de Jesus (na época era lugar de destaque comercial de Salvador); onde os meninos circulavam na esperança de conseguirem dinheiro e comida devido ao trânsito de pessoas que trabalhavam lá e passavam por lá; no Corredor da Vitória área nobre de Salvador, local visado pelo pelo grupo porque lá habitavam as pessoas da alta sociedade baiana.

* PERSONAGENS: Ahhh eles são ÚNICOS, vejaam:
~ * Pedro Bala
Era um jovem loiro de 15 anos, que tinha um corte no rosto. Era o chefe dos Capitães da Areia, ágil, esperto, respeitador e sabia respeitar a todos. Saiu do grupo para comandar e organizar os Índios Maloqueiros em Aracaju, desejando com líder do grupo Barandão. Depois disso ficou muito conhecido por organizar várias greves, como perigoso inimigo da ordem estabelecida.

Professor
Era um garoto magro, inteligente, calmo e o único que sabia ler no grupo. O professor era quem planejava os roubos dos Capitães da Areia. Depois de muito tempo aceitou um convite e foi pintar no Rio de Janeiro.

Gato
Era o mais bonito e mais elegante da turma. Tinha em caso com Dalva mulher das noites que todo o dia ia vê-la. Participava dos planos mais arriscados e era muito malandro e esperto. Tempos depois foi embora para Ilheús tentar a sorte.

Sem Pernas
Era um garoto pequeno para sua idade, coxo de uma perna, agressivo, individualista. Era quem penetrava nas casas de família fingindo ser um pobre órgão com o objetivo de descobrir os lugares da casa, onde ficavam os objetos de valor depois fugia e os Capitães da Areia assaltavam a casa. Seu destino foi suicidar-se atirando-se do parapeito do elevador Lacerda, pelo ódio que nutria pela polícia baiana.

João Grande
Era um negro alto, forte e burro. Era também o defensor dos menino pequenos do grupo. Era figura importante no grupo, e realizava os mais audaciosos furtos ao lado de Bala, seu destino foi se mandar como ajudante num navio.

Pirulito
Era magro e muito alto, um cara seca, meio amarelado, olhos fundos, boca rasgada e pouco risonha. Era o único do grupo que tinha vocação religiosa apesar de pertencer ao Capitães da Areia. Quando parou de roubar, para sobreviver vendia jornais, seu destino foi ajudar o padre José Pedro numa paróquia distante.

Boa Vida
Era mulato troncudo e feio, o mais malandro do grupo, e sabia tocar violão, também participava dos principais roubos do grupo. Seu destino foi virar um verdadeiro malandro, que vivia a correr pelos morros compondo sambas.

Volta Seca
Era um mulato sertanejo, afilhado de Lampião que odiava a polícia. Seu destino foi ir para o Nordeste na rabada de um trem, até entrar no grupo de Lampião e virar um cangaceiro destinado.

Dora
Tinha treze para quatorze anos, era a única mulher do grupo e se adaptou bem a ele. Era uma menina muito simples, dócil, bonita, simpática e meiga. Conquistou facilmente o grupo com seus cabelos lisos. Seus pais haviam morrido de alastrine e ela ficou sozinha no mundo com seu irmão pequeno. Tentou arrumar emprego, mais ninguém queria empregar filha de bexiguento. Aí ela encontrou João Grande e professor que a chamaram para morar no Trapiche, e logo ela já era considerada por todos como uma mãe, irmã e para Bala uma noiva. Ela participava dos roubos com os outros meninos. Morreu queimando de febre.

*ARTIFÍCIOS DE LINGUAGEM: Jorge, utiliza uma linguagem fácil e acessível, não tem naada de difícil, o que faz com que o leitor se identifique com a obra e leia sem problemas (: Isto era marca registrada do autor.
Ele usa a metonímia (figura de linguagem que consiste em tomar a parte para representar o todo) ao nomear as personagens, de acordo com suas características físicas e psicológicas. Nós usamos a metonímia o teempo todo, é automático, rs... por exemplo: quem já não disse - Preciso de bombril para lavar as panelas? , o certo não é bombril e sim esponja de aço (: Usamos uma parte (Bombril - marca) para representar o todo (esponja de aço).

*ESCOLA LITERÁRIA: Romanstimo, período em que o gênero é delineado na sua forma moderna e, praticamente, obtém alcance mundial. Mas rompe com algumas características dessa escola literária, não apenas por causa da temática mas também pelo enredo, disposto de maneira a exibir fatos isolados entre si e não relacionados.

~* Leeiam que não vão se arrepender, é isso o que os jornais não nos mostram!

* Links para estudo *
~* Análise COMPLETA da obra


XoXo, Thay ;*

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