Book* Iracema - José de Alencar

Iracema , quadro de José Maria de Medeiros
Hi pessoaal! *-------*
Hoje, assistindo á uma reportagem sobre a natureza do Brasil (lindaa *-*), me senti inspirada á resenhar acerca do
livro Iracema de José de Alencar!
Os vestibulares na maioria das vezes, fazem perguntas relacionadas á tal obra, considerando o fato de que ela ilustra
um período importante do Brasil: a sua colonização, além de abordar a cultura dos indíos, a natureza brasileira exuberante e  consequentemente as origens do povo brasileiro.
Li Iracema pela primeira vez, no 2º ano do Ensino Médio, para fazer prova de bimestre. Sinceramente, não achei que
o livro fosse me agradar por se tratar de um tema que não leio muito: índios, natureza, etc.
Porém, resolvi mergulhar na leitura deste, já que é de autoria do maravilhoso José de Alencar (HAHA arrasaa!).
Já havia lido outras três obras dele: A viuvinha, Senhora e Cinco Minutos, e desde então me tornara sua fã.
Sendo assim , iniciei a leitura de Iracema... e aos poucos fui me encantando pela história linda e contagiante, eu diria
até mesmo, mágica que este livro conta.
Um romance incrível, baseado em uma das lendas acerca da formação do Ceára e não obstante, através desta...
simbolicamente representar a história da colonização do próprio Brasil! Sem contar o contato que o leitor tem com a bela natureza do Ceará e a riquíssima cultura indígena! Iracema, sem sombra de dúvidas é uma obra-prima puramente brasileira!
Pocahontas, tem uma história muito semelhante, mas não possui tanto encanto quanto a obra de Alencar, pois apenas
esta última é que diz respeito ao nosso Brasil \o/
O livro foi publicado em 1865 (carambolaa, faz muito tempo *O*), e a história a obra é ambientada no ano de 1608 (:
Vamooos logo á história, então!
* A história: Através do romance entre a índia Iracema (que em guarani significa "lábios de mel" ú_ú) e Martim Soares Moreno, o colonizador português, cria um mito referente á colonização do estado do Ceará e também sobre a fundação da identidade brasileira (siim, tudo ao mesmo tempo!! Alencar é deeemaaais!).
O livro se inicia com uma cena que na verdade pertence ao que vai acontecer no final do livro, (tudo para o leitor ficar
curioso e ler até o fim!Alencar espertinhooo @.@).
Depois disso, o capítulo prossegue nos apresentando desde seu nascimento, a grande estrela da obra: Iracema:
 “Virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de
palmeira”.  *-*
Uma índia muito bela e guerreira!
“Mais rápida que a ema selvagem”. Em seguida, mostra como Iracema e o colonizador branco Martim se conhecem.
Durante uma caçada, o português, se perde e então... caminha sem rumo pelas  matas pertencentes à tribo dos
tabajaras, onde encontra com Iracema, filha do pajé Araquém.
Mas não pensem que esse encontro se sucede de forma tranquilaa, pelo contrário!
Ao se deparar com o branco, Iracema imediatamente lhe desfere uma flechada certeira no coração (Alencar quis
fazer uma metáfora á flecha do cupido, os portugueses são conquistados pela natureza e cultura do Brasil, Martim é conquistado por Iracema). , vendo que o rapaz não representava perigo, Iracema lhe oferece socorro e em uma troca de olhares, eles se apaixonam (que lindo *-*).
A índia leva Martim para sua aldeia e lá, seu pai lhe oferece abrigo, sendo bem tratado.
Tanto é que lhe são oferecidas mulheres e ele recusa todas, declarando seu amor porIracema.
No entanto, a moça é portadora do segredo da jurema, o segredo da fertilidade de sua tribo... e portanto de acordo
com a tradição, deve se manter virgem. (O europeu desejava as terras do Brasil).
Maas, Iracema acaba se entregando á Martim, revelando-lhe o segredo sagrado da jurema (A natureza, a população
indígena e toda a terra brasileira é entregue ao colonizador europeu).
No decorrer do livro, acontecem vários acontecimentos eletrizantes que são feitos para que o casal se separe
(sempre tem um infeliz querendo acabar com a felicidade alheia! ¬¬'). Basicamente, o romance estrutura-se no embate entre tudo o que une e o que separa os dois amantes.
E então se sucede uma guerra entre os  potiguaras (turma do Martim, rs) e tabajaras (povão da Iracema). Martim
escapa de seus inimigos tabajaras e une-se aos vencedores potiguaras mas a sua amada, porém, sente-se profundamente triste pela morte dos entes queridos e não suporta viver na terra de seus inimigos.
Desta forma, o casal juntamente com Poti (melhor amigo de Martim) viajam em busca de outro lugar para viver.
Ao longo da viagem, aproveitam para visitar Batuirité, o avô de Poti (Martim Gavião Branco), que á beira , faz a
profecia da destruição de seu povo pelos brancos (e não é que ele estaava mesmo certo, os brancos ACABAAARAM com os índios ¬¬', dizimaram sua cultura revolta#).
O grupo vai morar em uma cabana na praia e vivem algum tempo tranquilos e felizes.
Iracema acaba engravidando e, acompanhada de Poti,  faz o batismo indígena  de Martim , pintando seu corpo , e
batizando-o de Coatiabo, "o guerreiro pintado".
Porém, o português é tomado por saudades da pátria e de dar vazão ao seu espírito guerreiro (por quê?? estava tudo

indo tãão bem..., mas infelizmente a saudade sempre vem , tsc tsc , rs).
Consequentemente, vendo o sofrimento de seu amor, Iracema também se entristece.
Daaí, para ferrar com tudo de uma vez, um mensageiro  leva a Poti um recado  contando sobre a aliança entre os
franceses e os Tabajaras. Poti e Martim partem para a guerra; Iracema fica no litoral, em companhia de uma seta
envolvida em um galho de maracujá (a lembrança). Triste, recebe a visita de Jandaia (oowwn é a ave de estimação de Iracema que nunca a abandona, é como a fênix do Dumbledore, o dimon da Lira em A bússola de Ouro e o seu cachorrinho que sempre está com você), antiga companheira e trona-se como ela, "mecejana" (a abandonada) (pobre Iracema *O* HAHA se eu fosse ela, tinha ido junto \o Ao infinito e aléém!).
Durante esse tempo de ausência de Martim e Poti, Iracema dá á luz , de forma muuito sofrida o filho a quem batiza de
Moacir (que significa: "filho da dor" Trágico#) e ainda por cima acaba morreendooo *O* , mas só falece quando
Iracema, por Antônio Parreiras
Martim chega e ela pode entregá-lo o filho( que representa simbolicamente o primeiro brasileiro, nascido da união entre colônia e colonizador).
As últimas palavras  da índia, foram o pedido ao marido de que a enterrasse ao pé do coqueiro de que ela gostava
tanto. O sofrimento de Martim foi enorme, principalmente porque seu grande amor pela esposa retornara revigorado pela paternidade. O lugar onde se enterrou Iracema veio a se chamar Ceará (por conta do lamento de sua jandaia aos pés do coqueiro) *---* .
Martim retornou para sua terra, Portugal, levando o filho. Não consegue permanecer lá. Quatro anos depois, eles
voltaram para o Ceará, onde Martim implantou a fé cristã. Poti se tornou cristão e continuou fiel amigo de Martim.
Enfim, gente esse livro é muuuuito emocioonante, surpreendente e riquíssimo! Iracema, por amor a Martim, abandona
família, povo, religião e deus (no caso dos índios, o deus é Tupã, ao revelar ao branco Martim o segredo da jurema, Iracema abandona seu deus). Alencar, quis representar a submissão do indígena ao colonizador português. E esse
Estátua de Iracema
escritor é realmente muito inteligeeente, ele conseguiu inserir códigos no livro e através destes, contou 3 histórias ao mesmo tempo : a de Iracema e Martim, a da colonização do Ceará e a que constitui a colonização geral do Brasil.
Só para vocês terem uma ideia da genialidade de Alencar... o título do livro Iracema é na verdade um anagrama (para
quem não sabe, anagrama é o uso das mesmas letras de uma palavra que acabam formando outra) de América.
A      I
M     R
E     A
R     C
I       E
C     M
A     A
Brilhante nãão?? HAHA!
Agora, vamos á Ficha Técnica deste romance envolveente:
* FOCO NARRATIVO: 3ª Pessoa, especificamente... trata-se de um narrador-observador, onisciente, ou seja, aquele
que conta a história observando o comportamento das personagens:
O sentimento que ele (Martim) pôs nos olhos e no rosto não o sei eu. Porém a virgem lançou de si o arco e a
uiraçaba, e correu para o guerreiro, sentida da mágoa que causara." (Capítulo 2).
Entreetaanto, o narrador conta a história sob o ponto de vista de Iracema ("puxando" vantagens para o lado do índio e

não do branco colonizador), ele acaba dando mais valor aos sentimentos da índia e não aos de Martim.
E que também participa da históriiaa! Veja:
"Uma historia que me contaram nas lindas vargem onde nasci".

* TEMPO: A passagem do tempo no livro Iracema é de ordem cronológica e poética,  é medida por fatores ligados a
astros (Sol, Lua), deixando-se o calendário gregoriano de lado. Assim, o indicador cronológico é o nascer do sol, o
surgir da lua e outros elementos naturais, como ocorre em várias passagens:
"O sol, transmontando, já começava a declinar para o ocidente, quando o irmão de Iracema tornou da grande taba."
"Três sóis havia que Martim e Iracema estavam nas terras dos pitiguaras, senhores das margens do Camocim e
Acaracu."
"O cajueiro floresceu quatro vezes depois que Martim partiu das praias do Ceará, levando no frágil barco o filho e o

cão fiel."
Esta forma de fazer a  demarcação do tempo acentua o tom mítico da história, superando a mensuração do tempo

meramente material.
Trata-se também de um tempo histórico, ambientado na época da colonização, em que Portugal estava sob domínio

da Espanha.
* ESPAÇO: O cenário é a paisagem linda&maravilhosa# do estado do Ceará, com sua rica fauna e flora, tanto é que

Iracema é construída a partir da natureza, através da comparação desta com os elementos do ambiente.
Alencar faz a  valorização da cor local, do típico, do exótico inscreve-se na intenção nacionalista de embelezar a terra

natal por meio de metáforas e comparações que ampliam as imagens de um Nordeste paradisíaco, primitivo, que
nada tem a ver com a aspereza do sertão do semi-árido. É o Nordeste das praias e das serras (Ibiapaba), dos rios
(Parnaíba e Jaguaribe) e da bica do Ipu *--* , dá até vontade de visitar o Ceará @.@
* PERSONAGENS: Os índios são idealizados como bons selvagens, já que a obra de Alencar pertence á estética da

fase romântica indianista, nacionalista. E estes acabam sendo símbolos que representam algum aspecto da história
do nosso país.
*ARTIFÍCIOS DE LINGUAGEM: Como vimos Alencar, utilizou muiiitos artifícios, como as metáforas e imagens. É

assim que ele representa o pensamento selvagem. Sabe-se que as sociedades que não avançaram no terreno da
lógica argumentativa (que pressupõe noções científicas básicas) têm em contrapartida grande riqueza no plano mitológico. Elas se valem dos mitos e das histórias para explicar o mundo.
O pensamento do selvagem é imagético e, por isso, está muito próximo da poesia. Vê-se nesse ponto como o autor
soube unir forma e conteúdo. De outro modo seria difícil caracterizar a linguagem do índio sem prejuízo da verossimilhança. Vejam vocês mesmo:
"Quebrar a flecha da paz no encontro de Martim e Iracema."

"A flecha atravessando o gaiamum (Iracema deveria permanecer na cabana esperando a volta de Martim, não deveria
seguir em frente)."
"O ramo do maracujá: a flor da lembrança. Iracema deveria guardar, com a flor, a lembrança de Martim até morrer."
Assim como característica de sua escola literária, Iracema tem uma linguagem beem nacionalista e romântica.
*ESCOLA LITERÁRIA: Romantismo Indianista Nacionalista do Brasil \o/
O meu grande ídolo Machado de Assis, caracteriza Iracema como um "poema em prosa", é um poema épico-lirico

(para o Machado , é um poema essencialmente lírico).
 ~> Elementos épicos
 Presença do "maravilhoso" nas epopéias (para quem não sabe,  epopéia é um poema heróico narrativo extenso,

uma coleção de feitos, de fatos históricos, de um ou de vários indivíduos, reais, lendários ou mitológicos, como por
exemplo A Odisséia) e em Iracema.
O texto é épico por ser narrativo. José de Alencar narra os feitos heróicos dos portugueses na figura de Martim.

Iracema, também, é transformada em heroína. O vinho de Tupã que permite a posse de Iracema (presença do
"maravilhoso"). Além disso, temos, também, a presença dos deuses indígenas representando as forças da natureza.
~* Elementos líricos
O amor de Iracema por Martim: Iracema é a heroína típica do romantismo, que padece de saudades do amante( que

coisaa, as heroínas do Romantismo seempre tem que sofrer! Na minha opinião eram muito bobinhas rs, na maioria
das vezes, dá uma imensa vontade de "dar um sacode" nelas e dizer: heey acorda para a vida minha filha, reajaa,
coragem, que o mundo não acabou só por causa disso!) que partiu, e da pátria que deixou.
------- Como eu já disse, apresenta muitas características dessa estética, como a exaltação da pátria, vejam:
Capitulo 1: "Verdes mares bravios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba. Verdes mares
Ficheiro:Estatua de Iracema da lagoa da Messejana.jpg
Uma das muitas estátuas de Iracema - Fortaleza
que brilhais como liquida esmeralda, afaga impetuosa, as brancas areias, a lua argentando os campos".
Alencar tenta concretizar a proposta do Romantismo de construir uma linguagem brasileira (HAHA, e conseguee!).
É com essa obra que se inaugura o mito heróico da pátria, de natureza indianista.
*** Portanto, pessoaal.... leiaam Iracema, que não vão se arrepender, José de Alencar ILoved#, nessa obra conta a lenda de sua terra natal, como ele próprio afirmou em uma carta á um amigo:
"Quem não pode ilustrar a terra natal, canta as suas lendas".
O livro é aberto a interpretações. A relação entre Martim e Iracema significa a união entre o branco colonizador e o índio, entre a cultura européia,civilizada, e os valores indígenas, apresentados como naturalmente bons. É uma espécie de mito de fundação da identidade brasileira. Afinal, conta  NOSSA história!

"A jandaia cantava ainda no olho do coqueiro; mas não repetia já o mavioso nome de Iracema.
Tudo passa sobre a terra."

 *** Curiosidade: Iracema fez taanto sucesso, que em Fortaleza uma praia foi batizada com seu nome e há váárias estátuas dela espalhadas pela cidade *O*

* Links para estudo *
~* Análise COMPLETA da obra
- Guia do Estudante

- Wikipédia
- Pré Vestibular
- Passei Web
- Wikisource (Livro Completo)
Até a próximaaa *----*

XoXo, Thay ;*

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