Books* Meme dia 18

Hi my lovely headers, como estão? Espero que bem!! Aí vai mais um post do meme literário *-*

Dia 18 – um início de livro que você gosta
Geralmente, os inícios de livros, não me agradam, rs, porque despertam a curiosidade quanto ao restante do enredo. Mas há um começo de livro que foge à regra *-*
Lembro-me que li este livro pela primeira vez, no primeiro ano do Ensino Médio *-*
A marca de uma lágrima, de Pedro Bandeira! Esse livro é o preferido da Pam, e toda vez que falo dele, eu lembro dela.
Devorei A marca de uma lágrima rapidamente e amei a história, daí em diante, graças aos empréstimos da Pam, li mais obras do Pedro. 
E depois, na Bienal do livro de SP do ano passado, tivemos a grande alegria de encontrar o autor no stand da Editora Moderna, e conseguimos autógrafo e uma foto com ele *--------* 

Forçada a ir à festa de aniversário do primo, Isabel chama Rosana, sua melhor amiga, para acompanhá-la, mas ambas se apaixonam pelo primo, Cristiano. Na festa, Isabel é beijada por alguém que julga ser Cristiano, mas julgando-se feia demais para conquistá-lo, Isabel ajuda Rosana, escrevendo poesias para ela dar a Cristiano. Mas também faz uma promessa a 
Cristiano de que faria poesias para ele dar a Rosana. Um dia Isabel e Fernando, um rapaz que a menina conheceu na festa de Cristiano e que é apaixonado por ela, vão à sala da diretora e a encontram morta.
Isabel escreve cartas e versos para ajudar o namoro de Rosana, sua melhor amiga, com Cristiano, seu grande amor e primo. Por causa de sua beleza e da verdade de suas cartas, Cristiano mais se apaixona por Rosana e mais aumenta a desesperança por Isabel.

-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Morro de dó da Isabel, porque ela ama o primo, que por acaso é apaixonado pela sua melhor amiga, que por acaso também gosta dele! A Isabel sofre muito, se acha feia, (mas escreve muito bem) e ainda por cima... tem que enfrentar a dor de redigir lindos poemas de amor , para Rosana... a pedido de Cristiano e para Cristiano a pedido de Rosana..., enquanto isso, acaba se envolvendo em uma situação tensa, ao ser peça chave de um assassinato.
Não vou contar o final, mas garanto que é muito bom! O livro é bem rápido de ler, a linguagem é simples e gostosa, flui que é uma beleza \o
Eu adoro o começo desse livro, porque me identifico com a Isabel, rs e sobretudo com a cena do início, onde ele se confronta com um espelho. Criticando sua aparência e achando um saco ter que ir à festa de aniversário do primo, que não vê desde que é criança. Até que chama a melhor amiga Rosana para acompanhá-la, e na festa vê o deus grego, em que se tornou, seu primo *------* E do fofo do Fernando que enxerga a Isabel , quando ninguém a via. 
Gosto do início também, por conta do versinho que está inserido neste..., aliás, em todo o livro há fragmentos de versinhos muito legais!


------------- Deixo aqui, o curto primeiro capítulo do livro:


"No meu seio serás meu

para o uso que eu quiser.
Nos teus braços me abandono,
ao teu lado sou mulher..."




I - Paixão que nasce



1 - Uma gota de sangue

Aquele era o seu pior inimigo. O mais cruel, o mais cínico, o mais sem piedade. Um inimigo que falava a verdade. Sempre. Sempre a verdade. Toda aquela verdade que Isabel conhecia muito bem e que nunca a abandonava.
Ainda com a escova de cabelo na mão, ela não podia deixar de encará-lo. Lá estava ele, encarando Isabel de volta, com os próprios olhos da menina. De um lado, eles estavam molhados. Do outro, refletiam-se gelados, vítreos, impiedosos.
- Feia...
Isabel sufocou um soluço.
- Gorducha...
Uma lágrima formou-se na pontinha da pálpebra.
- Que óculos horrorosos...
Como um bichinho que foge, a lágrima saiu da toca e foi esconder-se no aro dos óculos.
- Você plantou uma rosa no nariz, é?
- Cale a boca... por favor...
Já mais grossa, a lágrima livrou-se dos óculos e escorreu pelo rosto de Isabel.
- Sabe que essa rosa vai ficar amarela? Amarela e grande... A lágrima penetrou-lhe pelos lábios e Isabel reconheceu aquele gosto salgado, tão comum e tão amargo em momentos como aquele.
- Por favor... me deixe em paz...
- Você vai espremer a rosa amarela. O seu nariz vai inchar... Os lábios de Isabel apertaram-se, molhados, sem palavras. Aquela garota que sempre tinha resposta para tudo, sempre uma gozação na hora certa, uma tirada de gênio que deixava qualquer provocador sem graça, não sabia o que dizer quando seu grande inimigo apontava sadicamente cada ponto fraco que havia para apontar.
-... e você vai ter vergonha de voltar às aulas na semana que vem...
- Cale a boca!
A raiva foi tanta que a escova de cabelo voou com força, acertando o inimigo em cheio, bem na cara.
- Isabel! Venha cá. Morreu aí no banheiro, é?
A voz penetrou-lhe os ouvidos como uma campainha de despertador. A voz irritante da mãe. Estridente como uma campainha. Devia estar com enxaqueca, é claro. Na certa ia reclamar de alguma coisa, exigir que a filha respeitasse pelo menos sua dor de cabeça, queixar-se de...
O combate com o inimigo estava suspenso, por hora. Isabel sacudiu a cabeça, como se despertasse, e esfregou o rosto, apagando as marcas da luta.
Uma última olhada para o inimigo. Ele a olhou de volta, agora com uma rachadura de alto a baixo.
"Sete anos de azar!", pensou Isabel. "Ah, o que são sete, para quem já viveu quatorze dos anos mais azarados do mundo?''
- Isabel! - ainda mais irritada, a voz da mãe invadiu o banheiro. - Não me ouviu chamar?
"Quatorze anos de azar!" ainda pensava a menina ao abrir a porta. "Será que a minha mãe quebrou dois espelhos quando eu nasci?"

***

Com as mãos, a mãe apertava as têmporas, como se a cabeça fosse cair, se ela a largasse.
- Você sabe que eu não posso gritar, Isabel. Você devia...
- Está bem, mãe. O que você quer?
- Ai, ai. Tia Adelaide acabou de telefonar. È o aniversário do Cristiano e ela faz questão que você vá.
- Cristiano? Que Cristiano?
- O seu primo, ora. Não se lembra do Cristiano? Vocês brincavam tanto...
- Ah, mãe! Isso já faz um século...
- É, faz tempo mesmo. Também, Adelaide foi casar-se com um homem que não pára em nenhum lugar! Não sei o que tanto tem aquele sujeito de mudar-se de cidade. Mas parece que desta vez vai sossegar. Ele está bem de vida, agora. Montou uma casa que é uma beleza. Adelaide vai fazer uma festa para o Cristiano que...
- Que droga! Aniversário de criança!
- Cristiano faz dezesseis anos, Isabel.
- Eu não quero ir.
- Não discuta, Isabel. Minha cabeça está me matando...

***

- É claro que eu vou! - concordou Rosana, do outro lado da linha. - As férias estão no fim mesmo, e os programas andam raros. Acho até gozado: sempre sou eu quem tem de arrastar você para alguma festa. Você sempre arranja uma desculpa, tem sempre que estudar...
- Acontece que eu não quero ir sozinha, Rosana - desculpou-se Isabel, como se estivesse convidando a amiga para uma sessão de tortura. - Minha mãe exige que eu vá. É o aniversário do Cristiano, um primo que eu não vejo há anos. Dizem que sempre foi o melhor aluno da classe. Um chato! E o pior é que ele foi transferido para o nosso colégio. A partir de segunda-feira vou ter de conviver com o chatinho a vida inteira. Faltam só dois dias... A festa deve ser tão chata quanto ele. A gente fica só um pouquinho e...
- Já disse que vou, Isabel. Uma festa é uma festa. E esta não deve ser mais chata do que as outras...

***

Lá estava ele de novo. O inimigo, agora rachado de cima a baixo, dizendo para Isabel que ela ficava medonha com aquela blusa, que seu cabelo estava um lixo, que todo mundo ia rir dela na festa...
- Todos riem, não é? Só que eu nunca dou tempo para que riam de mim. Eles têm de rir do que eu digo. Têm de rir comigo, na hora que eu quero que eles riam. Todo mundo ri do que eu digo, não é? Isabel, a grande gozadora! Isabel, a contadora de casos. Vamos, riam todos com Isabel!
Levemente, seus dedos tocaram a face fria do inimigo, bem na rachadura. Lentamente, seus dedos percorreram a rachadura, tateando como um cego que procura reconhecer alguém.
- Todos riem... Mas eu não queria tantos risos. Eu queria um sorriso apenas. Um só. Queria estar quieta e ver alguém aproximar-se, olhando nos meus olhos... sorrindo... Eu sorriria de volta, e nada mais precisaria ser dito...
Isabel deixou as lágrimas correrem fartas pelo rosto. Foi aí que o inimigo resolveu feri-la mais fundo e cortou-lhe o dedo com a borda da rachadura. Num gesto maquinai, a menina levou o dedo à boca, chupando o ferimento. Na rachadura, no peito do inimigo, ficou uma gota de sangue.
O dedo não doía quase nada.
Era ali que doía.
 --------------------------- *---------------------------
Esse livro , é incrível!! Não só esse, como todos do Pedro Bandeira *-* Super recomendo \o

P.S: Pam, esse post é dedicado a você e você sabe bem o porquê.

XoXo, Thay ;* 


Um comentário:

  1. Ah se seeeeei
    e COMO sei rsrsrsrs
    Bem, a Isabel teve um final feliz, e é por isso q apesar de tudo, nao posso deixar de me confortar com ele :D

    P.S: Morri aqui com esse post (KILL-ME Ö>)

    ResponderExcluir