Book* Crime e Castigo - Dostoiévski

Crime e CastigoHello world (: Estava com saudade de vocês *O* Nesse meu tempo de ausência, pude ler três livros *-*
Vou falar sobre o primeiro que terminei, trata-se de "Crime e Castigo" do famoso escritor russo, Fiódor Dostoiévski (também grafado como "Dostoievsky"). Confesso que sempre ouvi falar do quão boas eram as obras deste, mas nunca me senti muito tentada a ler seus livros, pois não gosto muito de histórias, vamos dizer assim, realistas e tensas. Mas, como o tal livro constava no cronograma da disciplina de Teoria Crítica e Literária, resolvi superar a mim mesma, lendo-o. 
Nossa, eu pensei que não fosse gostar nem um pouco de "Crime e Castigo", no entanto eu me surpreendi, e muito!

Sinopse 
Publicado em 1866, Crime e Castigo é a obra mais célebre de Fiódor Dostoiévski. Neste livro, Raskólnikov, um jovem estudante, pobre e desesperado, perambula pelas ruas de São Petesburgo até cometer um crime que tentará justificar por uma teoria: grandes homens, como César e Napoleão, foram assassinos absolvidos pela História. Este ato desencadeia uma narrativa labiríntica que arrasta o leitor por becos, tabernas e pequenos cômodos, povoados de personagens que lutam para perservar sua dignidade contra as várias formas da tirania. 
Fonte: Skoob

Iniciamos a leitura, acompanhando um dia na vida do protagonista Raskólnikov (os nomes russos são muito diferentes! Leia-se difíceis de serem assimilados por brasileiros *O*), conhecendo também certos aspectos da sua personalidade e de sua história. Raskólnikov (Ras, daqui em diante) é um ex-estudante de Direito, que infelizmente é pobre e angustiado com a vida. 
O narrador permite que saibamos o que se passa na cabeça do protagonista, assim seguimos durante o livro inteiro, sendo-acompanhando Ras.
O personagem não consegue encontrar um sentido para a vida, não quer se aproximar demais das pessoas, é solitário e vive em busca de algo que faça a vida valer a pena. Ras quer fazer algo importante, alguma coisa que possa mudar ao menos, o seu mundo.
Olha o tio Dos *-*
Me compadeci com a figura do protagonista, pois ele se mostra realmente perturbado, agoniado com a vida. E quem é que nunca se sentiu assim? Quem nunca se perguntou "eu vivo para quê, qual é o sentido da minha vida?". O ruim é que o rapaz não tem muito com quem conversar e então fica reprimindo todos os pensamentos ruins. É como diz aquele velho ditado "mente vazia, oficina do diabo". Farto de sua vida medíocre, Ras caminha pelas ruas, sem direção, e durante essa caminhada acaba conhecendo o Sr. Marmeladov. O que ocorre é engraçado demais, Ras faz de tudo para não conversar com ninguém mas Marmeladov faz questão de se dirigir a ele (imaginei o personagem como o meme FUUUU). 
Os dois começam a conversar, conhecemos a triste vida do Sr., que mesmo possuindo uma família para cuidar, acaba se entregando à bebida, gastando todo o pouco dinheiro que consegue. Em pouco tempo, ambos tornam-se "colegas" (o protagonista não é chegado à amizade haha).
Como se não bastasse, Ras chega em casa e depara-se com uma carta de sua amada mamacha (mãe) dizendo que sua irmã irá casar-se com um fulano, mas não porque o ama e sim porque ele tem dinheiro. Porém, a irmã de Ras quer casar-se para ajudar o irmão, o que o deixa indignado. Não poderia permitir aquele enlace que traria infelicidade à sua irmã. Imaginem a mente do pobre personagem, diante de tantos problemas! Desesperado, mas ainda esperançoso, Ras tem a "brilhante" ideia de assassinar a Sra. Ivánovna, uma usurária (agiota) perversa e mesquinha. O protagonista pensa que assassinar a velha seja uma ação realmente significativa e que renderá um bem maior, ele quer cometer tal ato tendo em mente "boas" intenções. Ora, matar uma mulher tão ruim seria um favor à sociedade. Poderia vender os seus bens e usar o dinheiro para alguma boa ação.
Assim, o moço arquiteta o plano de assassinato sem nenhum peso na consciência. É muito interessante observar os pensamentos dele diante de tal situação. 
Ras sente um certo medo de cometer o delito, mas isso logo passa. Com ideias doentias e um pouco "cego" por uma certa "vingança" (vingar-se contra a maldade de Ivánovna, vontade de livrar o mundo de alguém assim), o protagonista empenha-se no crime. A leitura do assassinato é realmente interessante, eu nunca tinha lido em detalhes como tal coisa acontecia. O leitor acaba matando a agiota, juntamente com Raskólnikov *O* Eu fiquei um pouco chocada! Percebemos que o protagonista não gosta muito de fazer aquilo, mas está tão "doente" que acaba ficando impassível (vazio) diante do crime. O que mais o atormenta, na minha opinião, é o fato de ter matado a irmã da Sra. Ivánovna que nunca lhe fizera mal algum, mas que infelizmente estava na hora errada e no lugar errado.
A partir disso, toda a vida de Ras muda. 
Ele simplesmente não consegue mais viver carregando a culpa do assassinato. Pensa nisso a todo instante, fica paranoico, acha que todos vão descobrir que foi ele quem cometeu o crime. 
Então, observa a si mesmo e se pergunta: "Por que eu fiz isso? Não foi por dinheiro, pois escondi os objetos roubados e não penso no valor deles, não dou importância a essas coisas. Se não foi por isso, por que eu cometi esse crime?". 
Ras reflete consigo mesmo e acaba se julgando em várias partes da história. Ele de fato fica acamado, chega a ter algumas alucinações, desconfia de todos e não consegue agir naturalmente. O rapaz vive com constantes dramas psicológicos, questionando-se o tempo todo, além de questionar o mundo.
Graças aos céus, ele (mesmo sendo tão arrogante, de vez em quando) possui pessoas que o amam, como por exemplo, seu amigo Razumíkin (meu personagem preferido *-*). Ras fica mais ranzinza do que o normal haha, quer afastar todas as pessoas. Mas, Razumíkin permanece ao seu lado sempre, mesmo levando patadas (que dó!).
Eu senti muita pena do protagonista, porque ele não é uma pessoa cruel, pelo contrário, é justo e sensível. O mesmo ajuda uma jovem que estava bêbada e prestes a ser estuprada, se compadece com o sofrimento de Marmeladov etc. Mas é crítico, orgulhoso e tem uma opinião formada. Ele tenta ajudar, mas se a pessoa se mostra ingrata, ele nunca mais oferece ajuda. Tem um gênio muito forte.
O enredo segue contando o confronto entre a razão e a emoção de Ras, que fica transtornado ao perceber o que fizera de sua vida.
Enquanto isso, surgem outras personagens, o pessoal da polícia acaba aproximando-se dele e sua mãe e irmã acabam aparecendo, bem como seu futuro cunhado. Esse Ras é azarado demais, no estado em que se encontra acaba tendo que lidar com mais problemas!
Eu lembrei muito de Hamlet, Ras tem um pouco desse personagem (ambos andam no limite da razão e da loucura). 
Pessoas e acontecimentos fazem o protagonista mudar suas concepções, ajudam-no a (des)construir sua própria "vida-identidade". O Amor, para variar, é algo que transformará Ras, de uma forma impressionante. E o final... é maravilhoso!
Não posso contar mais :X
Eu AMEI "Crime e Castigo"!! É um livro que eu devia ter lido há muito tempo, se não fosse minha aversão a livros "fortes". Não julgue o livro, pela sinopse! Creio que a genialidade de Dostoiévski esteja em abordar de modo tão profundo e envolvente, a condição de humano. Por que uma pessoa comete um crime? Qual é o sentido de justiça para o assassino? O que acontece com ele depois que comete um terrível homicídio? A Justiça de fato é justa? Podemos cometer justiça com nossas próprias mãos?
O livro me deu muito o que pensar! Na semana que vem, discutiremos a história, na aula (depois conto para vocês o que mais descobri sobre "Crime e Castigo").
O que eu aprendi com a leitura deste? Creio que percebi que às vezes nos isolamos em nossas próprias opiniões e isso nos corrói. É importante permitir que as pessoas nos amem e que amemos as pessoas. Não é bom tentar fazer justiça com as próprias mãos, sempre há uma luz no fim do túnel se você deixa de atormentar a si mesmo, com cobranças. Se Ras tivesse aberto as portas de sua pessoa aos outros, talvez não teria chego ao ponto em que chegou. Se compartilhasse seus medos e suas angústias com os amigos, se dissesse o que sente em relação às coisas, se usasse sua inteligência para algo construtivo, se pensasse em cuidar de si mesmo, se abrisse a mente... Ras teria percebido que o sentido da vida é viver. VIVER e não andar como uma máquina isolada. Antes de assassinar Ivánovna, ele havia assassinado a si mesmo e foi isso que o levou à ruína. Graças a Deus, surgem pessoas (e uma moça, em especial *-*) que resgatam Raskólnikov. 
Em várias partes, eu proferi xingamentos a ele haha! Porque o próprio ficava se denunciando *O*, enterrando-se cada vez mais, quando "a cura de sua doença" estava lá o tempo inteiro. O sentido da vida dele existia, só faltava ele descobrir. Infelizmente, isso aconteceu da pior maneira. 
O mais interessante em Dostoiévski, como Bakhtin já havia dito, é a polifonia. Em um livro como "Crime e Castigo" vemos várias vozes, percebemos que nós seres humanos, somos muitos em um. Dentro de nós, há várias vozes. Não existe apenas a clássica briga entre nosso lado bom e ruim, existem vários lados! Há nosso lado amigo, filho, aluno, trabalhador, apaixonado por rock, cozinheiro etc.
Raskólnikov cometeu um crime e acabou admitindo que merecia um castigo, percebeu que o que havia feito era covardia.
Graças à influência da jovem Sônia, ele acaba tomando um rumo na vida, renascendo das cinzas. É curioso, porque ele acaba se libertando, justamente depois que Sônia (cristã como a irmã do próprio) conta a ele a história da ressurreição de Lázaro. Outra coisa importante, é que Dostoiévski critica também a ganância, o fato dos Homens fazerem tudo por dinheiro. Além disso, há a questão do machismo também, o personagem do futuro cunhado de Ras é um machista idiota completo, o embate entre ambos personagens mostra que Dostoiévski não aprovava a submissão da mulher ao homem (aaeee \o).
Eu recomendo enfaticamente esse livro! Através dele podemos vivenciar coisas incríveis que permitem que nós mesmos amadureçamos *-*


"Tudo está ao alcance do homem, e tudo lhe escapa, em virtude da sua covardia."

"Que é que os homens temem, acima de tudo? O que for capaz de mudar-lhes os hábitos."


A covardia de Ras, estava em não querer mudar seus hábitos, ele foi covarde à medida que isolou-se dentro de si mesmo, pensando que apenas ele podia decidir algo e que esse algo era o certo a se fazer. Decidiu mudar o mundo, quando na verdade tinha que primeiramente mudar a si mesmo.





2 comentários:

  1. Adorei o post, Thais!
    Será muito útil, uma vez que não consegui terminar o livro pra aula de hoje!
    ;D

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  2. Ahhh que boom que gostou, Tami *-*
    Aposto que a discussão será ótima hoje ((:
    Logo você termina \o

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