Letras* Lingua(gem), um caleidoscópio fascinante - Dia 1

 1º dia de aula - 29 de Fevereiro de 2012


Hi my lovely readers! Antes de mais nada, queria informar a vocês que vou fazer uma série de posts referentes ao meu curso de graduação (Letras \o/), trata-se de um trabalho para uma disciplina chamada Linguagem e Significação: teoria e prática (doravante HL 323). Por isso, não se assustem! 
 Hoje tive a minha primeira aula de HL 323,  na qual o professor Sírio Possenti pediu que a turma escrevesse um memorial sobre nossas aulas. Escolhi o formato “blog”, pois venho lidando com esse modo de escrita há um ano e é claro,  também gostaria de transmitir conhecimento aos meus amados leitores *-*
            Durante o Simpósio “Discurso, Identidade e Sociedade”, em que trabalhei como monitora, já havia ouvido alguns comentários (muito positivos, aliás) referentes ao professor. Estava deveras ansiosa para o início do ano letivo. Bem, na nossa primeira aula pude enfim conhecer o professor e o módulo ministrado por ele (pois essa disciplinas é divida em 3 módulos). Iremos estudar texto e discurso, começamos a aprender um pouco mais sobre os elementos textuais. Me lembrei das aulas de LA (Leitura e Escrita) em que a professora Coracini nos passou dois textos sobre o Interacionismo. E o que raios é Interacionismo? Bem, é uma perspectiva de leitura que diz que a leitura de um texto depende da interação entre leitor-texto-autor. Crê que não existe uma única leitura - a leitura correta-, mas sim várias... que mudam de acordo com  leitor, com as experiências de vida dele (sua bagagem "cultural"). O leitor então leria o texto sob um ponto de vista particular, reconstruindo o caminho do autor até chegar ao sentido do texto. Não há qualquer sentido, os sentidos são delimitados pelo texto, no entanto o modo como o leitor entenderá esse sentido e o construirá será diferente, terá características próprias de cada um. 
            Creio que o módulo em questão será genial, afinal o professor tem como campo de trabalho, os textos humorísticos! A piada vem da cultura oral, se repetem em todos os lugares, por gerações e mais gerações. Aliás, muitos outros textos antes de serem escritos foram falados. Falando nisso, o nosso primeiro exercício foi a análise de um trecho cômico! Ah, meus friends... vocês sabem o quanto os “jogos” com palavras me fascinam! Deem uma olhada na piadinha que eu vou ter de explicar: 
O teacher disse que o "ela" é uma anáfora, what's this? Anáfora é um elemento textual que serve como referência a outro elemento do texto já dito. Por exemplo, quando eu digo:
" Era uma vez um rei. Ele tinha uma filha."  - temos a anáfora "ele" que remete a "um rei". Quando lemos "ele" logo imaginamos que se trata do rei. 
Então, o "ela" da piada é uma anáfora, e o que dá graça ao trecho é justamente essa aplicabilidade do pronome tanto à casa, quanto à cadela. Quem tem pulgas? A casa ou a cadela?
 Depois que o professor começou a falar sobre anáfora, elipse, endófora etc; eu comecei a prestar atenção no modo como o próprio discurso oral dele funcionava. Apreciei em demasia, o objetivo do nosso curso, o qual corresponde a nos tornar leitores “diferenciados”, não apenas leremos como também saberemos de que forma o texto foi escrito. Concordo plenamente com a concepção de que um texto não possui apenas um sentido, determinado pelo autor, mas é passível de várias interpretações, dependendo do contexto e do tipo de leitor com o qual se confronta (não sou adepta ao interacionismo, mas creio que neste ponto  ela tem razão). Conheci um pouco mais sobre a linguística do texto, através de Halliday e Hasan (Cohesion in English), dois autores que parecem ser ótimos, pelo que o professor disse. Fiquei literalmente de boca aberta ao perceber a forma como os elementos textuais funcionam. É engraçado, eu parecia uma criança deslumbrada diante de um brinquedo que pisca (ok, isso no meu tempo, porque hoje em dia, as crianças “nascem” mexendo no IPhone)! Quer dizer, às vezes lemos algo e desprezamos o seu funcionamento, não sei se é porque estamos tão acostumados que já nem ligamos muito..., mas se paramos para olhar “de perto”, tudo muda. Acho que a curiosidade é algo que deveríamos conservar, quando crianças queremos explorar o mundo, tudo é novidade, reparamos nas coisas mais simples e enxergamos a grandiosidade delas. Mas, daí a gente cresce e tudo parece ser corriqueiro e sem importância, é o que sempre digo: “Precisamos reparar nas coisas simples! Que na verdade são fantásticas!”.
            Querem saber o que raios são os elementos textuais? Bom, são elementos que fazem o texto ser texto! Haha, continuam sem entender? Vou explicar melhor.  Os elementos textuais são como “peças” que interligam as partes do texto, de modo a torná-lo uma unidade. Os nomes são as folhas do caderno, enquanto que os elementos textuais constituem-se como a espiral do mesmo (nossa, que metáfora horrível!). Enfim, vocês entenderam! Elementos textuais conectam os componentes do texto!
            Temos vários elementos textuais, em nossa língua: anáfora, elispse etc (de coesão); repetição, termos gerais, hiperônimos etc (de coesão léxica). E fazer uma análise textual é justamente encontrar esses componentes tão curiosos e úteis! Há muito o que aprender ainda, esta foi apenas a primeira aula (e olha o quanto já aprendemos!), estou empolgada!
            Ah, eu não disse que fiquei reparando na construção do discurso do professor? Pois bem, encontrei um enunciado bem interessante, vejam:
“A língua não é um código, muito menos um texto”
Ora, posso interpretar esse dizer, de duas maneiras:
  • A língua não é código, nem texto.
  • A língua não é código e o texto também não é.
Viu como há múltiplos sentidos no discurso? Acho que já falei demais, guardarei minhas ideias para a tão temida monografia. Matta né! (aposto que japonês também gosta de um bom elemento textual! Haha).


P.S: Querem conferir o restante das postagens? Cliquem (AQUI)

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