Letters* Wind

Como o vento, eu vou seguindo... indo para onde os instintos me levam, contemplando os
 pequenos detalhes da vida. Às vezes, (im)possibilidades surgem em meu pensamento com o intuito de me atormentar, fazendo com que eu lembre de minhas dores. Mas logo eu espanto essas enxeridas inconvenientes e dou um belo sorriso ao ver o que se estende diante de mim. De repente, todas as minhas dúvidas são sanadas, eu já sei o que fazer e veja só que curioso, nem pensei na solução.. simplesmente coloquei-a em prática.
Então eu não hesitei. Era preciso que isso fosse feito há séculos antes. No entanto, eu nunca tivera coragem de deixar algumas coisas irem embora.
Foi diferente dessa vez, quando eu tive certeza de que era hora de recomeçar, aquele era o ponto onde nossos caminhos se separavam.
Assim, abandonei minhas vestes de ventania e voltei a ser o que eu era de fato, brisa contente e determinada.
Não é fácil sair da zona de conforto, aquilo que já conhecemos parece ser a melhor opção, mas é necessário explorar outros lugares e entregar-se ao que está por vir. Estagnação nunca foi algo que apreciei, embora não goste muito de mudanças.
O passado era reconfortante, eu havia me apegado a ele como uma criança apega-se a um cobertor. Isso tudo por conta do simples fato de eu já ter vivido algo e me acostumado com aquilo. Ver o que vivi escorregando de minhas mãos, ver a despedida... foram coisas que me angustiaram. Foi quando eu percebi que aquilo que eu tanto amava e lembrava, já não existia há muito tempo. Não tinha porque ficar triste em dizer adeus a algo que já não existe, o adeus já tinha sido dado... eu só precisava me dar conta disso.
Aquelas roupas já não eram as roupas que eu tanto gostava, aquele olhar já não era de quem eu, outrora, havia conhecido. Eu não pertencia mais àquele lugar.
A partir desse momento, meu coração se encheu de alívio, a missão fora cumprida e era hora de iniciar um novo livro, uma nova aventura me aguardava.

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