Letters* Nem percebi

Quando foi que eu mudei tanto? Juro que nem percebi.

As maiores mudanças provém de transformações pequeninas, cotidianas, tão simples que a gente nem nota.
Mas são estes acontecimentos miudinhos que causam uma metamorfose estrondosa.
Quem está ao seu redor nota melhor, você só se toca quando alguém te diz alguma coisa, ou quando para pra pensar debaixo do chuveiro, na cama ou na janela do ônibus.
Sabe aquele velho clichê de que temos que conhecer nós mesmos?
A cada dia que passa, mais eu acredito nele.
Não percebi quando eu me peguei sorrindo por estar contente com o que eu sou agora...
Não notei que os ouvidos já não apreciam as canções tristonhas, tão pouco o fato de que não fico mais remoendo lembranças de outrora.
Lembro de quando assisti "Comer, Rezar, Amar" e fiquei admirada com o que a Liz diz, depois de partir para uma viagem ao mundo, após ter tomado um pé na bunda.  

"Eu pensava que deveríamos ser "infelizes" juntos pra poder sermos felizes. Considere prova de quanto eu te amo ter passado tanto tempo tentando fazer a ideia dar certo. Mas, outro dia, ouvi uma história incrível, chama-se: o Augusteum. Otaviano Augusto o construiu para abrigar seus restos mortais. Vieram os bárbaros, e foi demolido, com o resto. Como Augusto, o primeiro grande imperador de Roma, imaginaria a queda de Roma e de todo o mundo como ele conhecia? Na idade das trevas roubaram as cinzas do Imperador. No século 12, foi uma fortaleza, depois, uma arena de touros, mercado de muambas. Hoje é banheiro de mendigos. É conhecido como um dos lugares mais sossegados e solitários de Roma. A cidade cresceu ao seu redor ao longo dos séculos. Como uma ferida, um coração partido ao qual você se apega pois a dor é boa, todos queremos que as coisas permaneçam iguais, vivemos infelizes com medo que uma mudança estrague tudo. Aí, eu lembrei da história daquele lugar, o caos que ele suportou, o modo como foi adaptado, queimado, abandonado, devastado e construído e me tranquilizei. Talvez minha vida não tenha sido tão caótica. O mundo que é,  e armadilha é nos apegarmos as coisas. A ruína é o caminho que leva à transformação. Devo estar, devemos estar preparados para as intermináveis ondas de transformação. Nós dois merecemos mais do que ficar juntos por medo de sermos destruídos não ficando''.

Há um mês exatamente, eu fui demolida de novo. Mas parece que a cada destruição, mais forte e melhor eu fico. Eu estava em ruínas, não vou mentir... ainda não me reergui completamente, mas posso garantir que estou trabalhando nisso! Essa nova construção me parece belíssima. 
Pensei que eu fosse fazer tudo de novo, mas me espantei ao perceber que fui por um caminho diferente.
Talvez, bem lá no fundo, eu saiba o que é melhor pra mim. Acho que meu cérebro e meu coração finalmente entraram em acordo.
Aquele-que-não-deve-ser-nomeado (não, não é o Voldemort haha) foi embora e me deixou aqui sozinha, munida apenas de nossas lembranças. Ainda por cima, disse que gostava de pisar em mim.
No começo, eu me entreguei à tristeza e achei que fosse ficar no fundo do poço para sempre, pensei que iria ficar tão arrasada quanto da última vez.
Qual não foi a minha surpresa ao perceber que a alegria retornou ao meu coração, poucas semanas após o ocorrido!
Eu não quis mais ir atrás, não valia a pena o esforço.
Eu não quis mais ver, falar ...
Ficar sozinha foi uma das melhores coisas que me aconteceram, só assim pude me perceber e descobrir quem eu era (ou melhor, estava).
Pude me livrar das influências negativas que provinham de uma relação destrutiva.
Pude me ver pelo alto da montanha, dei a mão para mim mesma e a escalei.
Cheguei ao meu reino encantado, onde só há eu. Tinha esquecido do quanto é bom tirar um tempo para eu mesma, conversar comigo e fazer as coisas que eu gosto, sem ter que me preocupar em agradar ninguém.
Estou tão leve, tão preenchida por Deus.
Me reencontrar foi uma das maiores alegrias da minha vida, é por isso que agradeço a você, caro demolidor... por atirar tantas pedras, foi com elas que construiu minha muralha.


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