Book* Coração de Tinta - Cornelia Funke

Hi, my lovely friends! Conforme o prometido, aqui está o post-resenha de Coração de Tinta *-*

Título original: Inkheart
Autora:  Cornelia Funke
Editora: Cia das Letras 
Páginas: 456

Coração de TintaSinopse
Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante noturno finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.
É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado "Coração De Tinta". Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada. Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de "Coração De Tinta" um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente sequestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.Fonte: Skoob

Assisti a adaptação cinematográfica de Coração de Tinta há muito tempo (durante o ensino médio) e só agora consegui ler o livro. Carambola, foi a MELHOR coisa que fiz nessas últimas semanas!
Dá para sentir a paixão da autora pelo universo da leitura!
Este é um livro que te faz pensar sobre ler e, assim, desperta aquele sentimento de identificação e alegria por saber que existem pessoas como você: amantes das letras.
Mo é um médico de livros, mas além disso, tem o poder de dar vida às estórias que lê. Tal dom pode ser uma benção, mas uma maldição ao mesmo tempo. No caso em questão, a habilidade acaba lhe ocasionando um série de desventuras! Mo vive em busca de um exemplar de Coração de Tinta e quando finalmente encontra um, tem de fugir de certas pessoas que o ameaçam. Porém, a pacata vida dele e de sua filha Meggie, na tranquila casa em que viviam, acaba sendo bagunçada por Dedo Empoeirado, um saltimbanco provindo diretamente das páginas de Coração de Tinta. Tudo o que o personagem quer é voltar para o seu mundo, já que por causa de Língua Encantada (Mo), ele foi retirado de lá. 
A partir desse ponto, a aventura começa! Meggie não compreende bulhufas do que está ocorrendo, pois vive em meio a um grande mistério, Mo jamais contara para a filha o porque de tantas coisas estranhas ocorrerem na vida dos dois.
O leitor meio que vive na pele de Meggie, pois também não tem as respostas para todas as dúvidas que surgem (mas como eu já havia assistido o filme, já conhecia os segredos). 
Pai, filha e personagem partem para a casa da tia da mãe de Meggie: Elinor Loredan.
Me identifiquei muuito com ela, pois esta é uma maníaca por livros haha! Fiquei morrendo de vontade de visitar a biblioteca da Sra. Loredan! É fantástica!
Mas por que eles fizeram essa viagem? HAHA isso você terá que descobrir!
Posso adiantar que os quatro (+ a esperta marta de estimação de Dedo Empoeirado) acabam indo parar na aldeia do terrível Capricórnio! O grupo se mete em várias enrascadas, mas também conhecem personagens incríveis. 
Tudo isso por conta de um livro haha! 
Até mesmo Fenoglio- o autor de Coração de Tinta - participa de toda essa loucura que é o enredo de Coração de Tinta (o livro que lemos rs, não o livro sobre o qual o livro fala - que confusão). 
Meggie, a protagonista, tem de lidar com vilões horríveis (sim, horríveis!! Eles tem a coragem de incendiar bibliotecas) com apenas doze anos de idade, sem contar com o fato de que todos escondem dela os porquês de toda a desventura.
Assim como o pai e a tia-avó, Meggie é uma apaixonada por livros, mas o quão estranho é fazer parte de uma estória digna de ser obra literária!! Uma coisa é ler aventuras, outra coisa é participar delas rs! Como ela fará para escapar das garras de Capricórnio? Será que Dedo Empoeirado conseguirá voltar para seu livro? Fenoglio conseguirá colocar ordem naquilo que escreveu? Onde estará a mãe de Meggie? 
Adorei ler cada uma das páginas de Inkheart, pois nelas encontrei muita aventura, emoção, lições de vida, dicas literárias, ação, luta etc!
Me afeiçoei demais por Dedo Empoeirado (ele me lembra o Sirius - padrinho do Harry)! 
Anotei várias frases que encontrei durante a leitura! Pude entrar num livro, vendo personagens do próprio livro entrarem dentro de livros, pensando sobre livros haha! Tem coisa melhor que isso? Você participa de algo que estão contando, sente na pele, vive o que lê. Adoro livros em que o autor fala diretamente com o leitor (coisa que Machado de Assis faz bastante) ou fala sobre o ato de ler (o que encontramos em Coração de Tinta). Não obstante, os capítulos são iniciados com citações de grandes obras literárias *-* As ilustrações, feitas pela própria Cornelia Funke, são lindas *-* fiquei admirando a capa por vários minutos.
Esse livro fez com que eu refletisse sobre muitas coisas! Até que ponto a estória pertence ao autor? Até que ponto nós, leitores, influenciamos uma estória? Até que ponto um livro nos influencia? 
Minhas reflexões vão longe, pois estudo isso na faculdade! A partir de uma perspectiva intitulada discursivista encontrei possíveis respostas para essas questões, qualquer dia escrevo sobre isso aqui. Estou louca para ler a continuação Sangue de Tinta (e depois, o último livro da trilogia Morte de Tinta).
Coração de Tinta é uma leitura para amantes dos livros!

Algumas frases que me marcaram:


“Existe algo mais belo neste mundo que as letras? Sinais mágicos, vozes dos mortos, peças de mundos maravilhosos, melhores do que este. Elas consolam e espantam a solidão. São guardiãs de segredos, arautos da verdade… ”

“Quando você leva um livro numa viagem acontece uma coisa estranha: o livro começa a colecionar lembranças. Depois basta abri-lo, e você já está de novo no lugar onde o leu. Tudo volta, já nas primeiras palavras: as imagens, os cheiros, o sorvete que você tomou enquanto lia... Acredite, os livros são como papel pega-moscas. Não existe nada melhor para guardar lembranças do que páginas impressas.”

“Os livros tem que ser pesados, por que o mundo inteiro está dentro deles”

“Odeio ter que deixar meus livros sozinhos por mais de um dia.”

“O livro que ela começara a ler estava debaixo do travesseiro. Cutucava o ouvido dela com a ponta da capa, como se quisesse chamá-la de volta para suas páginas.”

“- É um sonho! - ele sussurrou novamente. - Apenas um sonho. O sol vai nascer e tudo vai ter desaparecido. Isso mesmo.”

“Eu acho que ela se alimenta de letras. Toda a casa dela está atulhada de livros. Ela os prefere à companhia de seres humanos.”

“Sabe, acontece uma coisa curiosa com os escritores. A maior parte das pessoas não consegue imaginar que os livros são escritos por pessoas iguais a elas. Normalmente elas supõem que os escritores já estão mortos, e quase ninguém imagina que possa cruzar com um deles na rua ou no supermercado. As pessoas conhecem as suas histórias, mas não os seus nomes, e muito menos o rosto. E a maior parte dos escritores gosta disso.”

“As palavras são imortais.”

“Quando você leva um livro em uma viagem, acontece uma coisa estranha: o livro começa a colecionar lembranças. Depois basta abri-lo, e você já está de novo no lugar onde o leu. Tudo volta, já nas primeiras palavras: as imagens, os cheiros, o sorvete que você tomou enquanto lia… Acredite, os livros são como papel pega-moscas. Não existe nada melhor para grudar lembranças do que páginas impressas.”

"Não havia um lugar para viver. Os livros eram o único lugar onde havia compaixão, consolo, alegria… e amor. Os livros amavam a todos que os abriam, ofereciam proteção e amizade sem exigir nada em troca, e nunca iam embora, nunca, mesmo quando não eram bem tratados. Amor, verdade, beleza, sabedoria e consolo perante a morte.”

“Afinal de contas, o nosso mundo não tem tolerância nem muita compreensão com as pessoas que são um pouco diferentes.”

“Havia livros espalhados por toda a casa. Eles não ficavam apenas nas estantes, como na casa das outras pessoas. Não, ali eles se empilhavam debaixo das mesas, em cima das cadeiras, nos cantos dos quartos. Havia livros na cozinha e no banheiro, em cima da televisão e dentro do guarda-roupa, pilhas pequenas, pilhas altas, livros grossos e finos, velhos e novos…livros.”

“Ás vezes queremos bater em todo mundo, mas não adianta nada, absolutamente nada. A dor permanece.”

“- Você sente falta dela?
- Ás vezes. De manhã, á tarde, á noite. Quase sempre.”

“Quis gritar, quis praguejar, esbravejar, mas nenhum som saiu de sua boca. Ela só conseguiu chorar.”

“Mo virou-se de costas mais uma vez. Ergueu a pasta que estava em cima da mesa, na qual guardava os papeis coloridos para as folhas de guarda, e começou a folheá-los distraidamente. “Todos os livros deveriam começar com um desses papéis”, ele dissera uma vez para Meggie. “De preferência com um escuro: vermelho-escuro, azul-escuro, de acordo com a capa. Quando você abre o livro, é como um teatro: ali está a cortina. Você arrasta para o lado, e a apresentação começa.”

"Ninguém notou que ela quase sufocava de tanto medo, pois havia vestido sua couraça, sua couraça impenetrável, bastante útil, sob a qual sempre se escondera em tempos difíceis. A cada golpe de dor, ela se tornava um pouco mais dura […].”

“Não é estranho como um livro fica mais grosso depois de ser lido várias vezes? Como se a cada vez ficasse algo grudado entre suas páginas. Sensações, pensamentos, ruídos, cheiros… E então, quando folheia novamente o livro depois de muitos anos, você descobre a si mesmo ali, um pouco mais novo, um pouco diferente, como se o livro tivesse guardado você, como uma flor prensada, estranha e familiar ao mesmo tempo.”

“— Sinto muito, Língua Encantada, não acredito em ninguém por princípio, você já deveria saber. Somos todos mentirosos quando nos convém.”

"Fenoglio: Ah, sim. Você quer ser escritora...
Meggie: Você fala como se isso fosse algo ruim.
Fenoglio: Não, não. Apenas solitário. Às vezes, o mundo que você cria parece bem mais amigável e vivo do que o que você realmente habita.
Maggie: Eu queria poder estar nele..."

“- Elinor, minha cara, você parece ter nascido na história errada - disse Dedo Empoeirado em algum momento.
Eram as primeiras palavras que ele dizia desde que haviam partido.
- Na história errada? Na época errada, você quis dizer. Sim, já pensei nisso muitas vezes.”

“Como Mo dissera: o ofício de escrever história tem algo a ver com a magia.”

“[…] Algo sussurrou dentro dela, mas ela não quis ouvir. Não, sua história tinha que ter um final feliz. Tinha que ter! Ela nunca gostara de histórias que não terminavam bem.”

Trailer do filme:


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