Tales* O que você preferir


O que você preferir
Thaís Tiemi da S. Yamasaki


            Já passava da meia-noite. Sofia não conseguia dormir e tudo o que vinha à sua cabeça era aquela cena terrível. Ela precisava acordar cedo, no dia seguinte, para cumprir o que prometera a Daniel. Mas as coisas ainda não se encaixavam muito bem, havia um grande furo em toda a estória que ouvira. Algo estava errado, alguém precisava ser desmascarado.
Sofia testou todas as posições possíveis em sua cama macia, mas não conseguia achar nenhuma que a deixasse confortável. Por fim, acabou indo deitar-se aos pés do móvel.
Convencida de que não iria conseguir pregar o olho, pegou o celular de cima da escrivaninha e resolveu fazer uma ligação.
Foi em vão, ninguém atendia o telefone.
As imagens dançavam em sua mente como hábeis bailarinas e tudo o que Sofia queria era que as ovelhinhas entrassem no palco, pulando cercas, para quem sabe... o sono chegar.
"Não, não pode ser", pensava a garota.

 ~*~

            O relógio despertou às 06:30 da manhã, mas Sofia já havia acordado às 05:30 por conta de uma ligação inesperada. A pessoa para quem ligara finalmente havia dado sinal de vida. A moça não contou tudo o que houvera, limitando-se apenas a declarar que suspeitava que algo estranho estava ocorrendo, porém, desligou o telefone de imediato, ao perceber que alguém estava ouvindo sua conversa. Bebericou uma xícara de café, mas cuspiu o líquido ao perceber que não gostava daquela bebida.
Pegou seu guarda-chuva cor-de-rosa e saiu da casa.
Notava que estava sendo observada desde a noite anterior, desde o momento em que não conseguia dormir até agora, andando nas ruas lotadas da cidade em que vivia.

 ~*~

            "Mas o que raios está acontecendo?" - perguntou a Daniel, assim que o encontrou na esquina da rua Drummond com a avenida 15.
"O que acontece sempre com pessoas como você, Sofia!" - respondeu o rapaz, com um ar um tanto quanto zombeteiro.
"Não estou entendendo! De repente, não consigo dormir. Fiquei tentando descobrir a noite inteira o que estava errado nessa estória toda, mas não descobri nada! Apenas sei que há algo estranho, bem como sei que há um impostor aqui. Depois, sinto que estou sendo observada. Alguém ouviu nossa conversa!"- O coração da garota batia desesperadamente, tudo o que queria era resolver aquele mistério.
"Talvez você apenas esteja ficando maluca, Sof. Já parou para pensar nisso?" - Daniel sorriu para a amiga e, no minuto seguinte, fixou seus olhos verdes em uma impressora quebrada.
"Sim, talvez eu esteja maluca! Afinal de contas, hoje fui beber a minha costumeira xícara de café, como sempre faço e, de súbito, percebi que não gosto de café! Como isso pode acontecer? Talvez eu realmente esteja precisando fazer uma visita ao psicólogo." - Sofia, desolada, sentou-se no banco de madeira da rua Drummond.
"Olhe ali, bem ali por trás de toda a tinta preta, ali está a pessoa que está te observando e bagunçando toda a sua vida!" - Daniel tinha o incrível "dom" de saber demais das coisas.
"Oh, Merlin! O que está dizendo? Por trás de onde?" - A moça sempre chamava Daniel de Merlin, pois o amigo parecia, de fato, com alguma espécie da mago. Sempre tinha uma resposta para tudo.
"A pessoa que te observa quer saber o que aconteceu ontem, quer descobrir o que te atormentou durante a madrugada a ponto de ter feito você dormir aos pés de sua cama. Está louco para saber que cena terrível vinha à sua mente o tempo todo, que imagens dançavam em sua mente como hábeis bailarinas. Talvez seja um manipulador, um detetive ou alguma autoridade!" - O rapaz sentou-se no banco ao lado de Sofia que olhou assustada.
"Dani...el, como é que você sabe de tudo isso? Como sabe que as imagens dançavam em minha mente exatamente como hábeis bailarinas? Como sabe que eu estava pensando em uma cena terrível, sendo que contei a você apenas  a estória cujo teor eu achava estranho? Como você poderia saber da cena, em questão, se ela não tem nada a ver com o que estou te dizendo? - Sofia congelou.
"Só sei que eu sei, Sof. Mas há outras pessoas que conhecem todos os seus passos. A pessoa que te observa também sabe de tudo isso".
Nesse momento, Sofia finalmente pôde olhar por de trás da tinta preta. Ela o viu.

 ~*~

            "- Daniel, está na hora de jantar! Pare de escrever essa estória e venha logo, a comida vai esfriar!" - a voz da mãe do jovem escritor Daniel Assis soou como um trovão pelo quarto do garoto. Até mesmo sua impressora quebrada diante dele não fazia os ouvidos doerem tanto quanto o grito materno.
            O rapaz abandonou o lápis em cima do capítulo em que a sua personagem "Sofia" finalmente conseguia ver o "observador". Quem era ele?
Era você..



leitor.



P.S: Gente, aqui está uma ótima oportunidade para ter algum conto publicado (eu já estou participando!): Prêmio Fnac - Novos Talentos

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Oi prima! Passeando pelo seu blog. Vejo que seus dedos continuam ágeis no teclado, que maravilha! Boa sorte no concurso da FNAC! Bjos. Fran

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    1. Ahh eu realmente amo escrever <3
      Muuito obrigada! Boa sorte para você também! Bjos

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