Um não sei o quê

Eu sou um não sei o quê.
É, não sei o que eu sou, quem eu sou, o que aconteceu ontem.. 
Estou flutuando dentro da minha própria vida, tentando achar o fio da meada que eu perdi.
Porque eu me enrosco nos meus pensamentos amargos, na minha hipocondria desenfreada e me sufoco neles. Eu me afogo no sangue que jorra do meu coração partido. Eu me afogo nas tentativas inúteis de querer amar. Não consegui fazer você ver, não consegui... e isso me destrói.
Minha boca pintada de vinho escuro me deixa com cara de escuridão, revolta, mistério.. e é isso o que eu também sou por dentro. Serena num dia e bombástica no outro. Não consigo conviver com minhas contradições.
Estou vivendo no modo avião, não ouço a vibração da minha vida. Eu quero fugir daqui, fugir de mim.
Porque eu era eu quando você estava ao meu lado e agora você não está mais aqui.
Agora você é qualquer um... Eu estou ferrada da vida contigo. Com vontade de tacar um livro na sua cabeça e te fazer olhar para o próprio umbigo.
Mas eu só me encolho abraçando minha mochila e faço bico.
Morrendo por dentro. Perdida.
Eu quero sempre o impossível, eu sou impossível...
Me atraio pelo tormento, por mentes permeadas de escuridão, de tristeza. Porque sei que as melhores pessoas são essas que se isolam no silêncio e mergulham na profundidade da dor. Pessoas infelizes são as mais incríveis, porque não se contentam com as pseudo-alegrias desse mundo horroroso. No fundo, tudo é alegria falsa, instantânea. Quem não se sente feliz diante disso... tem uma mente brilhante, diferente.
Gosto de Bukowski e nem sabia. Gosto porque Bukowski é uma parte de mim e sempre me faz lembrar de quem não devo, mas esse de quem não devo lembrar também lembra eu mesma. 
Me sinto confortável na agonia, na tristeza infinita... não sei lidar com a alegria.

- T. T. Yamasaki

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