Numa sala de espera

Sentei no sofá da clínica de psicologia e psiquiatria. O mesmo clima de sala de espera de quaisquer outros consultórios. O rádio estava sintonizado na pior estação possível. Uma música funérea dominava o ambiente.
Pessoas impacientes vidradas em seus celulares aguardavam seus nomes serem chamados, pessoas que viviam vidas virtuais e buscavam encontrar uma vida real. E eu estava entre elas.
Estava na sala de espera. Vendo a vez dos outros chegar e a minha não. Isso pode ser uma metáfora para a minha vida, mas aqui falo de modo literal.
Fiquei imaginando a feição da minha psicóloga, já imaginei uma senhora com rosto bondoso e óculos de gatinho. 
Chegara meia hora mais cedo, eu amo e detesto a minha pontualidade. 
Uma Thaís foi chamada, mas não era eu, pelo visto. Uma senhora de óculos de gatinho (haha que coincidência) abriu a porta e uma moça que seria a minha xará a acompanhou.
Pode ser que alguém tenha ido no meu lugar por engano, pensei (na vida e na consulta).
Alguns minutos depois, a moça volta e a psicóloga entoa outra vez o meu nome:
- Thaís.
Me pergunto o porque de eu estar ali, o porque de eu ter decidido pedir ajuda a alguém cuja fuça eu nunca tinha visto.
Levanto-me, a minha vontade é maior.
Juro que achei que a sala da psicóloga seria em tons pastéis (azul, sobretudo), com um divã e uma cadeira.
Mas só havia algumas cadeiras e uma decoração que me fez sentir numa espécie de aula de Yoga.
Foi aí que eu me enfrentei.
A arena era aquele tapete cinza (e sobre ele pedras e vasos).
Falei tudo o que estava engasgado, relembrei de coisas, tive que olhar para tudo, desde a minha relação com familiares até o meu dia-a-dia.
Eu nem chorei, como teria feito há alguns anos.
Só achei, naquele momento, que eu não precisava mais de psicóloga. 
Porque a cada pergunta, eu respondia: "enfrentei, enfrentei, enfrentei, superei, venci, não voltou mais, não senti aquilo de novo."
Estava achando sufocante tudo aquilo. Eu só queria ir embora e mergulhar na minha quase-vida e transformá-la numa vida de verdade.
Fim.
Fui classificada com um nível tranquilo de situação já que me foram dadas duas opções: terapia individual ou terapia em grupo. E eu achando que me encaminhariam para a psiquiatria!
Saí de lá contente por não estar tão mal e por ter vencido tantas batalhas.
Mas aquele ambiente me fez pensar que os lugares, as roupas, a música, a decoração mostram muito sobre o nosso estado de espírito e o influenciam também.
Percebi que decididamente não aprecio a cor marrom. O branco, de fato, me traz paz.. uma sensação de limpeza. Mas sou apaixonada pelo preto, pelo seu mistério, pela sua magia... Eu sou preto e branco.
Claro e escuro. Sou o sim e o não. 
Desde aquele dia, tenho investido em colocar coisas coloridas no meu quarto e tenho acordado mais enérgica e esperançosa.
Mas é com as luzes apagadas que eu gosto de dormir.

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