Uma interpretação: A Culpa é das Estrelas - John Green

A Culpa é das EstrelasEntão eu terminei de ler "A Culpa é das Estrelas" e diversos pensamentos invadiram a minha mente, bem como uma amálgama de sensações tomou conta da minha alma.Chorei como uma bezerrinha durante a leitura e tudo o que pude pensar foi: "João Verde, por que teve de escrever algo tão cruel e tão maravilhoso????"
O livro é profundo, eu adoro livros profundos. A escrita parece simples, mas carrega em si toda uma rede quântica de reflexões e sentimentos que só são percebidas por nós, à medida que se inscrevem em nosso ser e passam por nossos olhos interpretativos.
Eu sempre mergulho na escrita dentro do que eu mesma escrevo. Com a escrita do outro, eu escrevo a mim mesma.
Não pude deixar de sentir na pele a história de Hazel e Gus (e de tantas outras pessoas que sofrem com essa doença terrível intitulada como câncer). Mas eu acho que a história não é sobre a doença ou sobre os efeitos de se estar morrendo. Mas é uma história a respeito do Universo.
E o Universo ali era Hazel e Gus.
Não precisamos estar com uma doença grave para estarmos morrendo... Todos nós estamos envelhecendo a cada segundo e não temos ideia do que pode nos acontecer. Tem gente que não vive não por ter que andar com um cilíndro de oxigênio, mas por não conseguir abrir o coração e se libertar de medos e traumas. Tem gente "saudável" que se encontra em um estado vegetativo, por conta de tristezas ou pela própria incapacidade de enxergar algo bom na vida.
Tem gente morrendo por não perceber que são muito mais do que os outros dizem, que são incríveis ao invés de patéticos (como julgam ser).
No final das contas, todos estão lutando contra si mesmos e nem percebem isso, seja lutando contra uma parte do próprio corpo que se tornou uma doença ou contra sua própria mente.
Mas Hazel e Gus me ensinaram que o melhor a se fazer é viver a profundidade de ser você mesmo, viver no seu infinito (ele não precisa ser o maior de todos, mas tem de ser SEU) e fazer dele o que você quer fazer de verdade.
Se tem um sonho louco... por que não o realiza?
Eu realizo meus sonhos através das palavras, mesmo que ainda não possa realizá-los literalmente.
Não importa a nossa condição nessa vida, não importa o fato de que o mundo é uma droga, o que importa é que as coisas são o que a gente enxerga e sente (e não digo enxergar com os olhos - né Isaac?? Haha - mas enxergar com o que você é).
Uma explosão de ideias e sentimentos aconteceu dentro de mim.. e devo isso graças à essa história linda.
Hazel tinha medo de se envolver com Gus porque achava que o machucaria, por se considerar uma granada. Mas... Hazel Grace, eu sinceramente acredito que todos nós somos granadas.
Não importa como nos ferimos, não importa o que o mundo faz conosco, não importa que as coisas que queríamos não aconteceram, não importa se tudo parece conspirar para fod*r nossa vida... O Mundo não é uma fábrica de realizações de desejos, mas nós podemos ser. Nós podemos pegar todas as coisas ruins e transformá-las em benefícios.
E  o mais legal é que o benefício para um não é o mesmo para o outro, cada um tem seu próprio conceito do que é bom, do que é a alegria.
Tudo o que eu quero vivenciar nesse momento é a minha inspiração e ânsia de escrever, porque voltei a sentir a velha e boa sensação de que a escrita é mágica, remédio e veneno.. phármakon.
Todas as minhas angústias e desesperos de ontem à noite se transformaram em astros. E se me perguntarem porque meu coração se transformou em algo esperançoso, feliz e reflexivo; direi com muito gosto: A Culpa é das Estrelas.

- Thaís Tiemi Yamasaki (uma hipocondríaca que enfrentou um Sick-Lit)

*Atualização: Acabei de descobrir que John Green e Esther Earl (a moça que o inspirou a escrever) se conheceram em um evento sobre Harry Potter!!! Que alegria saber disso! Esther tinha um vlog, acho que vale a pena assistir! (AQUI)



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