Letters* Intensidade

Durante toda a minha vida sempre senti o mundo de uma forma um tanto quanto intensa demais. Todas as alegrias e tristezas entravam em mim como uma enxurrada. Cada sensação era um tsunami ou uma erupção vulcânica. Todas as palavras se inscreviam em mim brutalmente (e magicamente), como se a minha alma fosse um bloco de cera e as palavras escritas com um estilete afiado. Eu via e pensava no mundo, nas pessoas, no universo, nos sentimentos de forma profunda. Meus devaneios davam uma volta completa e caleidoscópica dentro de mim. Eu vivenciava cada amizade, amor, experiência com toda a intensidade de que eu era composta. Um olhar, para mim, era mais que um simples olhar. Uma palavra, mais do que uma simples palavra. Um gesto, bem mais do que um simples gesto. Uma história, bem mais do que uma simples história. Se eu era sua amiga, era amiga de verdade, daquelas que lutaria junto com você e estaria ao seu lado pra sempre. Se eu era sua colega de trabalho em grupo, eu me esforçaria e faria um trabalho duro para conseguir uma boa nota para nós. Se eu era sua filha, iria fazer de tudo pra te dar orgulho e amar você tão intensamente de modo que atacaria qualquer um que tentasse te machucar. Sempre me senti dessa forma, sempre vivi assim. Se estava calma, era brisa. Mas quando ficava brava, eu era ventania... furacão. Sem meio termo. Ou eu te amava ou te esqueceria para sempre. Ou eu não faria algo, ou mergulharia de vez naquilo. Ou equilibrada, ou completamente louca. Sabe o que era mais estranho? Eu achava que todas as pessoas eram como eu, viam e sentiam o mundo da mesma forma. Mas nem todos são assim.
Para alguém desse jeito, a pior e melhor coisa que pode acontecer é amar. O amor é a manifestação mais perigosa e bela daqueles que são intensos. Pode te destruir ou causar sua ascensão. Você ama tanto alguém a ponto de sentir essa pessoa (ou animal! Por exemplo: o seu gato/cachorro) dentro de você, como se fizesse parte de sua própria constituição. E quando esse alguém vai embora, é como se um pedaço do que você tivesse sido arrancado do corpo/da alma. Dói, arrasa, te faz ficar no chão se contorcendo. Mas depois que se recupera, não restam traços do amor que outrora sentia. Ou é tudo ou nada.
O problema de ser uma pessoa intensa é que viver nesse mundo de hoje em dia torna-se algo insuportável. Por quê? Porque a grande maioria das pessoas é superficial. As relações estão ficando cada vez mais descartáveis. Eu olho para as atitudes dos seres humanos e sinto um nó no estômago. As conversas são tão sem profundidade, eles não dizem nada de interessante e é a mesma ladainha sempre. É importante frisar que não são TODOS, mas A MAIORIA (pelo menos de acordo com a minha experiência enquanto humana haha). Eu não sinto vontade de falar com grande parte das criaturas que encontro por aí, porque elas não correspondem ao que eu sou e anseio. Tenho certeza de que todos podem ser maravilhosos, todos tem esse potencial. Mas preferem ser um poço de superficialidade, preferem ficar atracados na monotonia padrão. Não sou melhor que ninguém e nunca serei, porque cada um é singular, Mas não sou hipócrita a ponto de dizer que não tenho minha própria ideia do que é ser "uma pessoa legal". Todos tem! Para minha irmã, por exemplo, ser legal é gostar de funk e ser extrovertido. É assim que é pra ela, é assim que ela enxerga o mundo. Minha visão é bem diferente da dela, mas ambas nossas opiniões são válidas. Porém, estou escrevendo esse texto de acordo com o que eu sou haha, então voltemos às minhas ideias. Como eu dizia, não gosto de conversar com todos que encontro e isso me faz ser a "anti-social" da família, do grupo de amigos etc. Mas é que eu realmente acho que nada do que certas pessoas dizem me interessa. Nossa Thaís, sua esnobe!! Não é ser esnobe, porque não estou dizendo que o que dizem não vale nada, mas digo que não é o que EU quero ouvir. Então é melhor que essa pessoa não fale comigo, afinal, não estarei interessada e sim com alguém que realmente vai apreciar o que ela diz. Não gosto de ferir ninguém por conta desse meu desinteresse crônico por certos assuntos e modos de viver.
Sério, não entendo algumas pessoas (falo de algumas que conheço) que vivem de aparência, postando no face fotos em milhões de festas, cerveja na mão e exibições de "ai, sou legal porque gosto/faço (d)isso". No Face você é perfeit@ e popular, mas por dentro é tão vazi@ quanto um conjunto vazio. Claro que não estou dizendo que pessoas que gostam de festas e cerveja são vazias, porque não dá para julgar pela aparência e isso seria preconceito da minha parte. Mas, conheço algumas que são assim e falo a partir dessa observação que fiz delas. Por outro lado, tenho amigos incríveis que amam festas, cervejas e baladas, postam fotos e tal; mas não vivem só disso. A minha crítica se refere a quem vive de superficialidade em relação a essa questão.  Eu já tive vontade de ir à festas e ter uma vida popular, com um monte de gente me bajulando, companhia todos os dias, diversão na night e muitos caras babando por mim. Mas depois eu pensei: "que tédio isso seria, que coisa chata". Simplesmente porque eu não sou assim. Tem gente que é, gente que é feliz assim.. então tudo bem pra você. No entanto, eu sou desse jeito aí... intenso. Sou ferrada mesmo e iluminada também. Porque tudo me golpeia de um jeito bem ferrado. Tudo me atravessa em vinte dimensões. E por isso eu me sinto uma ET nesse planeta Terra do século XXI. Às vezes acho que vim de uma época antiga, talvez encontre a T.A.R.D.I.S em algum lugar por aí e possa voltar à minha era de origem. Ou talvez ache um buraco de minhoca. Ou ainda: talvez eu possa me conectar com um de meus outros "eus" em um universo paralelo. A verdade é que me sinto desconfortável pra caramba sendo eu mesma, mas em compensação, há momentos que eu me acho a mais sortuda de todas as pessoas. Isso tudo depende do dia. Há períodos em que me sinto extremamente feliz por estar aqui, vivendo nessa época, sendo humana. Mas eu sempre volto ao pensamento de que esse mundo não é legal. O que fazer? Se enfiar em uma caverna e virar eremita? Não não, acho que seria bem mais nobre tentar tornar o planeta Terra do século XXI, um lugar melhor. 
Em várias épocas, existiram pessoas assim como eu (e você que aguentou ler até agora e se identificou com o que estou escrevendo) que não se sentiam pertencentes à época em que viviam. Pessoas como Jane Austen, Bukowski, Clarice Lispector etc.
Felizmente, posso sentir na obra dos autores literários que mencionei um pouco da intensidade que eles sentiam. Daí vem aquela sensação maravilhosa de identificação: "CARAMBA, não sou só eu que me sinto/penso assim!!!". Automaticamente, meu coração sorri e me sinto melhor.
Refletindo sobre isso, chego à conclusão de que quem é intenso assim provavelmente sofre de depressão ou algum outro problema em relação à mente. Também pudera né, imaginem o quanto seria difícil para um peixe que sempre viveu no oceano, viver dentro de um aquário com plantinhas de plástico (lembrei de Procurando Nemo hahaa).É super normal que isso aconteça. Você não se sente parte do lugar/época em que vive, por isso fica tão triste e melancólico. Mas por que somos assim? Isso é algo que ainda não consigo responder (e talvez nunca consiga). Isso significa que já vivemos mesmo em um oceano e por isso não gostamos desse aquário? É aí que entra a parte louca da história, temos algumas possíveis explicações para isso... a ideia de que não fomos criados para viver nesse mundo cheio de coisa ruim (explicação cristã), vidas passadas (essa é de algumas vertentes do budismo e acredito que do espiritismo também) e física quântica (essas duas possíveis soluções são as minhas favoritas); além de muitas outras. Não dá para dizer que uma dessas ideias é a correta, isso vai depender do que você pensa. Ou talvez as coisas sejam assim e ponto. Existem algumas pessoas com defeito no cérebro que são intensas desse jeito mesmo, fazer o quê? São doidas -> hahaha essa resposta eu não engulo de jeito nenhum!!
As pessoas intensas precisam encontrar um meio de extravasarem a intensidade e, felizmente, muitas delas escolhem a arte ou a ciência. Quantos poemas e livros incríveis foram feitos de modo a soltar tudo o que alguém reprimia dentro de si!! Quantos filmes foram encenados com a ânsia de poder ser outra pessoa? Quantas descobertas científicas foram feitas? Quantas coisas inventadas? Quantas teorias formuladas? Tudo isso foi conquistado por pessoas que pensavam de modo diferente do convencional. Por outro lado, pessoas intensas também podem direcionar essa intensidade em coisas ruins. Hitler, por exemplo. Fico pensando que se ele tivesse sido aceito na faculdade de artes, o nazismo nunca teria existido. Psicopatas, serial killers e vários outros tipos de criminosos, muitos deles são pessoas intensas que não aguentaram a carga de serem quem são e não conseguiram lidar com a situação, por isso acabaram caindo no pior e covarde caminho de ferirem os outros e cometerem coisas horrorosas. Caramba, eles poderiam ter feito tanta coisa legal e escolheram a porcaria do crime!! Por isso eu acho que todos os países deveriam investir em psicólogos para todas as pessoas e também o incentivo de produção artística e científica. 
Só quem é intenso sabe o quão difícil é viver sendo assim. Mas, como me disse uma professora de Biologia certa vez: "é difícil, mas não impossível". Então escolhamos o caminho de tentar melhorar o mundo e criar coisas incríveis nas artes e/ou na ciência!!! Vamos mostrar ao mundo superficial como é enxergar tudo de um modo diferente! E quando aquela vontade de reclamar e xingar tudo aparecer: façamos um poema. Porque sim, às vezes dá vontade de chutar o balde, se enfiando no próprio mundo e deixando o restante das pessoas continuar vivendo na superficialidade. Mas pra que fazer isso se temos o potencial para agir de modo melhor? 
Já aceitei e entendo o fato de que nem todas as pessoas são "iguais" a mim. Vai ser difícil, vai. Mas quem é intenso, geralmente, meio que atrai gente intensa.  Você não está só, acredite!! E quer saber de uma coisa? Pessoas intensas são incríveis. Só precisamos encontrar equilíbrio de vez em quando.

                     "São ambos uma maldição e uma benção sentir tudo tão profundamente."



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