Clube do Livro #1 - Harry Potter e a Pedra Filosofal





No último sábado (14/01), tivemos o primeiro encontro do ano do"Dare Minds", nosso Clube do Livro. Participei dessa experiência o ano passado inteiro com duas amigas (Ana e Thaís). Lemos diversos livros, tais quais Jurassic Park, O retrato de Dorian Grey, Persuasão, Lolita, Os 13 porquês, Crônicas de Nárnia etc. 
Neste ano, porém, decidimos que leríamos a saga completa de Harry Potter. 

E  hoje vim contar como foi a discussão acerca de Harry Potter e a Pedra Filosofal. Tentarei ser bem breve haha.

Dessa vez, nosso clube contou com a presença ilustre de mais participantes! O que foi bem interessante, pois tivemos uma grande diversidade de opiniões. É uma pena que o tempo tenha sido curto e que nem todos tenham conseguido dizer o que queriam. No entanto, aos poucos, vamos aprendendo a como administrar bem o tempo que temos. 

De início, dei as boas-vindas ao pessoal e contei a breve história do nosso clube. Falei sobre minha relação com Harry Potter e de que casa eu era  (Grifinória, porém, o Chapéu Seletor ficou em dúvida se me colocaria na Corvinal - informação importante haha). Pedi para que todos fizessem o mesmo! 
Foi tão bacana ouvir as histórias sobre como cada um dos presentes ali encontram Harry Potter!
Alguns tinham preconceito (eu achava que era modinha e me recusava a assistir, por exemplo), outros leram por indicação de amigos, outros viram o filme primeiro...
Mas no fim, todos ficamos apaixonados pelo universo de J.K. Rowling, nutrindo aquele sentimento maravilhoso e mágico de que Harry Potter e todos os outros personagens existiam de alguma forma. A história trouxe amizades para nossas vidas, foi alento quando nos sentíamos tristes, nos mostrou que (parafraseando Dumbledore em PdA) "A felicidade pode ser encontrada mesmo nas horas mais difíceis, se você lembrar de acender a luz". Harry Potter foi nossa luz, caso contrário não estaríamos ali discutindo com tanta paixão um livro lançado em 2000 (no Brasil, 1997 na Inglaterra).
O ponto alto da discussão, para mim, foi observar os bons sentimentos que a releitura de HP1 proporcionou às pessoas ali presentes. Nos lembramos dos velhos tempos, da adolescência... de amigos antigos, de brincadeiras, de imaginar... 
Ahh importante dizer que tínhamos uma variedade de casas representadas no nosso grupo haha!
Em seguida, puxei a discussão a partir de trechos do livro. Elencarei os principais pontos que discutimos (não necessariamente em ordem).


- O preconceito contra as coisas e pessoas que não estão de acordo com o padrão.

Sabemos que os Dursley "se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado". Eles possuíam completa aversão por qualquer coisa que se mostrasse diferente do considerado normal, qualquer coisa que fizesse o que não devia. Até mesmo sonhos e desenhos animados ofereciam um grande risco, pois podiam dar ideias "perigosas". Os Dursley falavam dos pais de Harry com desprezo, pelo fato de serem bruxos, e assim tratavam o sobrinho também. A indiferença e os comentários preconceituosos eram os principais componentes do tratamento dos Dursley em relação a Harry.
Os Dursley que se achavam tão normais, vejam que irônico, são os personagens mais anormais da história (com sua obsessão ao combate contra os anormais). E, além disso, são os que mais acreditam em magia (já que a combatem tão firmemente). Eles buscam adequar Harry a todo momento! 
Os Dursley nos fizeram lembrar dos "cidadãos de bem" que acham que existe apenas uma forma de ser e existir, que despejam comentários preconceituosos por toda parte, buscando condenar e adequar o diferente. Quantos gays não são tratados como Harry é!? Quantos imigrantes! Quantos quaisquer pessoas que não seguem os padrões de normalidade não são tratados mal!? Os bruxos precisam calar suas existências, viver em uma espécie de "submundo", porque os "normais" não conseguem entender suas diferenças. Acreditam que o diferente é uma ameaça, que não pode existir. Harry Potter nos mostra como é importante respeitar o diferente e desconstruir nossos preconceitos para com o outro.

- A verdade
Conforme uma de minhas amigas levantou sabiamente, Dumbledore tem uma fala que nos mostra como tratar a verdade:

"A verdade é uma coisa bela e terrível e portanto deve ser tratada com grande cautela. Mas, vou responder às suas perguntas, a não ser que  haja uma boa razão para não fazê-lo, caso em que eu peço que me perdoe. Não vou, é claro, mentir"

Há momentos em que não podemos contar toda a verdade para alguém,  porque essa verdade pode trazer uma série de consequências não apropriadas para o momento, como é o caso de Harry que com 11 anos não poderia saber de inúmeras coisas. Dumbledore escolheu não contar tudo, mas não mentiu. Podemos pensar nisso, toda vez que lidemos com uma verdade que não pode ser revelada totalmente num dado momento. O que nos leva ao próximo ponto...

- Identidade 
Harry vivia uma vida bem mais ou menos, achando que os pais tinham morrido em um acidente de carro e que ele e nada eram a mesma coisa. Harry era tão inseguro, triste, passivo, incapaz de fazer nada para se defender dos Dursley...quando era tão controlado e desprezado por eles. Porém, quando ele descobre muito de quem é de verdade, ele se torna mais confiante, seguro de si, ativo...Ainda continuava sendo órfão, tinha várias limitações... mas sabia sua história, partes cruciais de sua identidade. Isso fez toda diferença. 
Percebemos aqui o grande poder do autoconhecimento! 

- Hagrid
Nosso querido guarda-caça merece um tópico especial. Ele que não tinha muita instrução, era guarda-caça de Hogwarts (só depois virou professor), meio gigante meio humano, era a pessoa a quem Dumbledore confiava a sua vida. Hagrid, em momento algum durante os 7 livros da saga, nos decepcionou. Ele mostrou que formação acadêmica, origem e estilo de ser não determinam o valor e o caráter de uma pessoa.                        

 - Palavras
Dumbledore fala que é uma bobagem dizer "você-sabe-quem" invés de Voldemort. Ele diz que o medo de um nome aumenta o medo da coisa em si. O que nos pensar na questão do tabu. É preciso falar daquilo que incomoda,  daquilo que não falam por receio, é preciso colocar as coisas em discurso. Expressar, tirar de dentro, transformar em dizer o que sentimos é fundamental. Só assim nos libertarmos. Esse poderia ser um trecho de um livro de Freud, mas é Harry Potter.

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Bom, esses foram alguns dos principais tópicos. Também falamos de personagens, como Hermione que era completamente rígida em relação a regras  e descobriu que nem sempre a regra deve vir em primeiro lugar. Vimos pistas sobre os outros livros da saga... Um trecho em que Harry desconfia que Snape lê mentes (o que se mostra verdadeiro depois), uma pista sobre a falta de humanidade pra poder morrer de Voldemort (horcruxes); Dumbledore ser poderoso, mas nobre demais para desenvolver poderes como os de Voldemort (o que lembra a história com Grindelwald) etc.

Enfim, Harry Potter e a Pedra Filosofal fala sobre respeito com o diferente, fala de união, amizade, caráter, amor e tantas outras coisas.

Nós, do Clube do Livro, utilizamos e continuaremos a utilizar a leitura de Harry Potter para o bem. Com nossos alunos, familiares, amigos ou seja lá quem mais. E acreditamos na magia, na magia de ter sentimentos tão maravilhosos em nossos corações que foram despertados por palavras... Magia esta que nos fez ir para Hogwarts e viver emocionantes aventuras. Somos seres humanos melhores por conta dessa leitura. Se eu pudesse dizer algo para a  J. K. Rowling seria: muito obrigada!


Potterheads!

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