Letrando

 1º dia de aula - 29 de Fevereiro de 2012

Hi my lovely readers! Antes de mais nada, queria informar a vocês que vou fazer uma série de posts referentes ao meu curso de graduação (Letras \o/), trata-se de um trabalho para uma disciplina chamada Linguagem e Significação: teoria e prática (doravante HL 323). Por isso, não se assustem! 
 Hoje tive a minha primeira aula de HL 323,  na qual o professor Sírio Possenti pediu que a turma escrevesse um memorial sobre nossas aulas. Escolhi o formato “blog”, pois venho lidando com esse modo de escrita há um ano e é claro,  também gostaria de transmitir conhecimento aos meus amados leitores *-*
            Durante o Simpósio “Discurso, Identidade e Sociedade”, em que trabalhei como monitora, já havia ouvido alguns comentários (muito positivos, aliás) referentes ao professor. Estava deveras ansiosa para o início do ano letivo. Bem, na nossa primeira aula pude enfim conhecer o professor e o módulo ministrado por ele (pois essa disciplinas é divida em 3 módulos). Iremos estudar texto e discurso, começamos a aprender um pouco mais sobre os elementos textuais. Me lembrei das aulas de LA (Leitura e Escrita) em que a professora Coracini nos passou dois textos sobre o Interacionismo. E o que raios é Interacionismo? Bem, é uma perspectiva de leitura que diz que a leitura de um texto depende da interação entre leitor-texto-autor. Crê que não existe uma única leitura - a leitura correta-, mas sim várias... que mudam de acordo com  leitor, com as experiências de vida dele (sua bagagem "cultural"). O leitor então leria o texto sob um ponto de vista particular, reconstruindo o caminho do autor até chegar ao sentido do texto. Não há qualquer sentido, os sentidos são delimitados pelo texto, no entanto o modo como o leitor entenderá esse sentido e o construirá será diferente, terá características próprias de cada um. 
            Creio que o módulo em questão será genial, afinal o professor tem como campo de trabalho, os textos humorísticos! A piada vem da cultura oral, se repetem em todos os lugares, por gerações e mais gerações. Aliás, muitos outros textos antes de serem escritos foram falados. Falando nisso, o nosso primeiro exercício foi a análise de um trecho cômico! Ah, meus friends... vocês sabem o quanto os “jogos” com palavras me fascinam! Deem uma olhada na piadinha que eu vou ter de explicar: 
O teacher disse que o "ela" é uma anáfora, what's this? Anáfora é um elemento textual que serve como referência a outro elemento do texto já dito. Por exemplo, quando eu digo:
" Era uma vez um reiEle tinha uma filha."  - temos a anáfora "ele" que remete a "um rei". Quando lemos "ele" logo imaginamos que se trata do rei. 
Então, o "ela" da piada é uma anáfora, e o que dá graça ao trecho é justamente essa aplicabilidade do pronome tanto à casa, quanto à cadela. Quem tem pulgas? A casa ou a cadela?
 Depois que o professor começou a falar sobre anáfora, elipse, endófora etc; eu comecei a prestar atenção no modo como o próprio discurso oral dele funcionava. Apreciei em demasia, o objetivo do nosso curso, o qual corresponde a nos tornar leitores “diferenciados”, não apenas leremos como também saberemos de que forma o texto foi escrito. Concordo plenamente com a concepção de que um texto não possui apenas um sentido, determinado pelo autor, mas é passível de várias interpretações, dependendo do contexto e do tipo de leitor com o qual se confronta (não sou adepta ao interacionismo, mas creio que neste ponto  ela tem razão). Conheci um pouco mais sobre a linguística do texto, através de Halliday e Hasan (Cohesion in English), dois autores que parecem ser ótimos, pelo que o professor disse. Fiquei literalmente de boca aberta ao perceber a forma como os elementos textuais funcionam. É engraçado, eu parecia uma criança deslumbrada diante de um brinquedo que pisca (ok, isso no meu tempo, porque hoje em dia, as crianças “nascem” mexendo no IPhone)! Quer dizer, às vezes lemos algo e desprezamos o seu funcionamento, não sei se é porque estamos tão acostumados que já nem ligamos muito..., mas se paramos para olhar “de perto”, tudo muda. Acho que a curiosidade é algo que deveríamos conservar, quando crianças queremos explorar o mundo, tudo é novidade, reparamos nas coisas mais simples e enxergamos a grandiosidade delas. Mas, daí a gente cresce e tudo parece ser corriqueiro e sem importância, é o que sempre digo: “Precisamos reparar nas coisas simples! Que na verdade são fantásticas!”.
            Querem saber o que raios são os elementos textuais? Bom, são elementos que fazem o texto ser texto! Haha, continuam sem entender? Vou explicar melhor.  Os elementos textuais são como “peças” que interligam as partes do texto, de modo a torná-lo uma unidade. Os nomes são as folhas do caderno, enquanto que os elementos textuais constituem-se como a espiral do mesmo (nossa, que metáfora horrível!). Enfim, vocês entenderam! Elementos textuais conectam os componentes do texto!
            Temos vários elementos textuais, em nossa língua: anáfora, elispse etc (de coesão); repetição, termos gerais, hiperônimos etc (de coesão léxica). E fazer uma análise textual é justamente encontrar esses componentes tão curiosos e úteis! Há muito o que aprender ainda, esta foi apenas a primeira aula (e olha o quanto já aprendemos!), estou empolgada!
            Ah, eu não disse que fiquei reparando na construção do discurso do professor? Pois bem, encontrei um enunciado bem interessante, vejam:
“A língua não é um código, muito menos um texto”
Ora, posso interpretar esse dizer, de duas maneiras:
  • A língua não é código, nem texto.
  • A língua não é código e o texto também não é.
Viu como há múltiplos sentidos no discurso? Acho que já falei demais, guardarei minhas ideias para a tão temida monografia. Matta né! (aposto que japonês também gosta de um bom elemento textual! Haha).


5 de Março de 2012


Hi everyone! Hoje, antes de ir para a aula de HL 323, li três textos que o professor enviou: "A cena de enunciação" de Dominique Maingueneau, "Sentindo do senso comum" de M. Arondel-Rohaut, e "Dialogismo cultural e textual" de R.Stam. O primeiro é referente às características das cenas de enunciação ( o que é isso? saberemos mais nas próximas aulas), o segundo diz respeito à uma análise MUITO interessante de uma expressão que costumamos usar muito "estar caído por alguém", e o terceiro o qual mais me chamou a atenção aborda o conceito de dialogismo de Bakhtin (hein? Haha, mais informações no próximo capí...ops , post). 
            O texto de R. Stam me trouxe à tona algo sobre o qual eu me interessei desde o ano passado, trata-se dessa questão de dialogismo, de enunciados que vem de outros enunciados, mas que nunca são os mesmos. Ou seja, tudo o que nós dizemos/escrevemos já foi escrito/dito, sempre estamos retomando à textos que já foram proferidos, nossos enunciados dialogam com enunciados outros. Tudo já foi dito, o que temos são novas construções, são como genes. Temos apenas algumas “bases nitrogenadas” (as letrinhas haha) para todos os seres, no entanto nenhum de nós somos iguais, pois temos diferentes combinações dessas bases (eu e minhas metáforas). O modo como o texto é construído que faz toda a diferença (é a nossa singularidade em ação!), isso me lembrou do paradoxo de Teseu..., mas tenho que me controlar e parar de filosofar tanto! Está bem, eu TENHO que contar a vocês sobre o paradoxo de Teseu (é muito legal *O*, acho que já contei umas trezentas vezes para os meus amigos)! Antigamente, diz a mitologia grega, existia um cara chamado Teseu, este possuía um navio. Naquela época não havia a tecnologia de ponta que temos hoje, sendo assim os navios não duravam muito tempo (Titanic é mais recente, no entanto.. não foi tão bom assim, Noé é que se deu bem), para que o precioso navio de Teseu não virasse lixo, seus amigos substituíam as partes podres por madeiras novas. A questão é, depois de colocadas tantas madeiras novas, o navio de Teseu continua sendo o mesmo? Ou será que depois de tantas peças trocadas virou outro navio? Dizem que um rio nunca é o mesmo, e eu acho que nem nós mesmos somos. A Thaís de ontem com certeza não é a Thaís de hoje ._. Fica a questão, esses gregos eram mesmo muito espertos *O*. O mesmo acontece com um texto, se você lê  por exemplo "O pequeno príncipe" na infância e depois na vida adulta, as leituras serão completamente diferentes. É por isso que ás vezes, assistimos a um filme pela segunda vez e  percebemos coisas que na primeira não havíamos percebido O.o
 Ok, voltemos a Bakhtin, descobri com a ajuda dele, que a construção “querido diário” (que eu ainda uso, em meu diário, admito haha), por exemplo, vem de um diálogo de enunciados, uma tradição constituída pela comunicação entre todos estes dizeres. Não pude conter minha curiosidade em descobrir como é que isso surgiu, infelizmente não encontrei muita informação acerca do que procurava, terei que refletir sobre isso sozinha (mais ideias!). Sempre me empolgo com a metáfora do xadrez de Saussure (já falei dele aqui no blog haha! O pai da Linguística moderna!!) e na concepção a que esta remete, de que é na relação com o outro que as coisas são o que são. Uma carta é uma carta, porque não é um anúncio de videntes (trago seu amor em sete dias, que mentira!).
            A aula foi interessante, começamos observando a ação dos eficientes elementos textuais em alguns textos do Jornal Folha de S. Paulo. O professor começou a falar sobre outro tema que aprecio bastante, a relação da ideologia com a linguagem.
            É incrível o modo como a construção de um texto seleciona leitores Depois que “abri os olhos” (mesmo que eu seja um pouco japa, haha) para isso, pude perceber que o uso de uma simples palavra pode indicar informações cruciais sobre o texto, e o contexto no qual este se insere. Por exemplo, em dois textos sobre "Ai se eu te pego", encontrei as seguintes designações: " a música 'Ai se eu te pego', a faixa 'Ai se eu te pego' , "o hit 'Ai se eu te pego';  o uso dos termos "faixa" e "hit" indicam que a pessoa que escreveu o texto não valoriza muito a canção, não dá muito crédito a ela (eu também detesto essa FAIXA, mas cada um tem seu gosto). Outro exemplo, se em um texto utilizam a palavra "jurisprudência" a pessoa pressupõe que você tenha alguma noção sobre Direito. Ah, notei que em uma das matérias que lemos, o nome da presidenta Dilma nunca sofre substituição, curioso! 
            Esse mundo da linguagem é interessante demais! Quanto mais nos relacionamos com o mundo, mais esquemas da língua conseguimos construir. O professor falou sobre frame e script, o frame diz respeito a um conjunto de elementos (ex: um restaurante tem mesas, cadeiras, menus, garçons etc) e o script diz respeito a uma sequência de ações (ir ao restaurante, receber o menu das mãos do garçom, pedir comida etc). Quanto mais você participa das relações sociais, mais frames e scripts você tem, assim poderá inferir mais sentidos às palavras e textos. Ora, quando alguém te diz "baixa uma música para mim", você não vai pegar uma música e abaixar o volume dela (ou sei lá mais o que a imaginação permitir haha), não precisam te dizer que é preciso ligar o computador, entrar no site 4Shared procurar a música, clicar em iniciar download e baixar a canção, você já sabe de tudo isso! Pois possui esquemas mentais de tal experiência, em sua cabeça (é claro que se é mental , é na cabeça... no fígado é que não iria ser). A maioria dos alunos perguntam "por que eu tenho que aprender essas coisas na escola?" (referindo-se à História, Geografia etc), o professor comentou sobre isso na aula, e eu concordo. Te respondo então! Criatura de Deus, você tem que aprender para poder VIVER, se relacionar! Se não aprendesse certas coisas na escola, iria ficar "boiando" quando tentassem conversar com você! Imagine o quão terrível isso seria
            Enfim,  não podemos esquecer que o texto é a ponta do iceberg! Há muito mais sobre o este que não vemos logo de cara! O autor não percebe que o “tecido texto” está cheio de buracos, por onde o leitor atravessará sua agulha com linha, costurando um sentido particular.
            É, tudo depende do ponto de vista, dá ordem que você dá. Achei genial o exemplo que o professor Sírio deu sobre a negociação de uma casa. Se o cliente diz ao vendedor: 
“É bonitinha, mas é cara”, quer dizer que não irá ficar com a casa, mas se profere “é cara, mas é bonitinha” provavelmente ficará com esta.
            Fiquei inspirada, peguei um jornal em casa e lá vou eu observar os tão sorrateiros elementos textuais.
Matta ne!


7 de Março de 2012


            Hi guys! Confesso que não fiquei nada feliz com a nota do meu primeiro exercício, mas achei a correção realmente pertinente. Que fique de lição! O meu lado japonês não me deixa esquecer os meus erros, ou seja, fiquei remoendo meu desempenho durante toda a aula, nem consegui rir. Quer dizer, exceto as frases sobre a crise na Grécia que conseguiram me arrancar boas risadas! Posto elas aqui para vocês rirem também:

            Conheci o caráter catártico da piada, como manifestação indireta do discurso reprimido, através da manipulação da linguagem, ocasionadora dos múltiplos sentidos. What? Haha, vou "traduzir", a piada funciona como uma espécie de lugar onde você pode dizer umas boas verdades que estão reprimidas dentro do seu ser! Eu, de fato, me empolgo (até demais ¬¬') com essa relação da linguagem com a psicanálise.
            O interessante é que o mesmo tipo de construção vindo de uma criança, como chiste (definição dada  por Freud aos atos falhos da linguagem. Por exemplo, quando você diz "vó"ao invés de "professora" haha - quem já não fez isso e passou a maior vergonha?? - trata-se de um chiste), não nos confere riso. Não rimos por conta da construção da fase, mas sim pela ignorância da criança. Saiba mais, clicando (AQUI). Estudar a língua quando ela “falha”, a meu ver, deve ser algo fascinante e produtivo! É interessante o fato de não podermos determinar o sentido de uma palavra, até vermos o contexto no qual esta se insere. Toma essa, Chomsky (já falei dele também, o pai do estruturalismo, uma perspectiva que diz que possuímos uma espécie de gramática em nosso cérebro e diz que o texto tem um único sentido)! Port Royal (não é Pó Royal não, haha, Port Royal (é o título de uma gramática, que tinha a concepção de que a linguagem era utilizada apenas para representar o pensamento e que devia, portanto, ser correta ao extremo U.U, então quer dizer que se eu escrevo mal significa que eu penso mal? Não concordo) também não me parece muito confiável agora!
            Outra coisa curiosa é o tal do conhecimento prévio! Se eu não possuir certa bagagem cultural sobre algo, não posso entender um texto que dialogue com determinadas coisas. É a intertextualidade em ação! Está bem claro que em tudo há ideologia e sempre haverá enunciado do outro no meu. Usamos dizeres alheios sempre, mas o que nos torna singulares e a forma como “costuramos” esses dizeres, como eu já disse (não apenas eu, como uma porção de gente também - MUITA gente mesmo!).
            O professor explicou os três diferentes tipos discurso: o discurso direto, o direto e o livre. Posteriormente, discutimos citação e a relação do autor com o autor com quem dialoga. Para ilustrar o dialogismo, o professor comentou sobre o intertexto ("alusão" de um texto no outro) presente em “O nome da rosa”, livro de Umberto Eco (o ECO de suas leituras é BEM visível em seus livros haha), que comecei a ler nas férias, mas infelizmente tive que abandonar por conta das leituras acadêmicas. Até mesmo o nome “UNICAMP” é intertexto! UNI vem de Universidade, vejam quantas UNIs existiram antes da Unicamp. 
Mais ideias suscitaram em mim...

12 de Março de 2012


As coisas ficam mais interessantes a cada dia que passa! Não sei se já comentei anteriormente (provavelmente sim), mas o ponto que mais me deixa empolgada no que diz respeito à lingüística é o que concerne à intertextualidade, essa relação entre os enunciados, tudo o que já foi dito e é recriado a todo instante.
Não é maravilhoso o fato de que no momento em que escrevo aqui ("aqui" é uma dêixis, outra “figura” interessante. Dêixis são termos que mudam de referência a todo momento, como por exemplo: "agora", "hoje", "eu"; você não sabe de quem/do que/de quando se fala sem o contexto), estou dialogando com vários outros enunciados? Bem, a aula... é sobre ela que devo falar!
Ora, falamos justamente sobre o tema explicitado acima!  Achei deveras interessante o exemplo dos comerciais de cervejas. Vocês sabem (não, não sabem pois eu não costumo falar sobre bebida alcoólica no blog haaha), existem três marcas de cerveja chamadas Boêmia, Nova Schin e Antártica; a primeira é antiga (mais velha do que meu pai), a segunda é nova (eureka!) e a última é, ah a última é a Antártica! Pois bem, para atrair consumidores, a cerveja Boêmia utilizou-se de sua qualidade enquanto cerveja tradicional (clássica) utilizando o slogan: “Deguste com parcimônia”; por outro lado a moderna Nova Schin usou o atual: “Beba com moderação” e por sua vez, a Antártica explorou um determinado cenário, em que a atriz Juliana Paes é dona de um bar, chamado “Bar da Boa”, relacionando tal nome ao slogan: “Beba na boa”. Observamos neste exemplo, o diálogo entre as épocas e o jogo de linguagem executado através do diálogo do texto com o cenário, bem como com a memória discursiva da sociedade.
            O professor então chegou à questão do Poder em relação ao enunciado, sempre esbarramos nessa concepção de que tal influência implica somente em opressão e controle, quando na verdade também produz coisas boas. Para eu contrariar algo, preciso que esse algo exista antes. Os textos nascem a partir de outros textos! O que é escrever? É montar. Um texto é uma montagem, o autor utiliza os enunciados-peças já existentes e (re)constrói o seu próprio enunciado (olha o parodoxo de Teseu aí de novo, minha gente!).
Assim, são os textos. Está aí uma boa questão para debruçar-se sobre e ficar refletindo por horas a fio.       A verdade é que tudo está interligado! Toda vez que o professor menciona algum livro, fico morrendo de vontade de lê-lo. Isso é um problema sério, pois tenho pilhas de textos para ler!
Ah, também aprendi um pouco mais sobre polifonia, a multiplicidade de vozes! Eu posso escrever aqui: "   Os  japoneses são reservados, quando encontram algum amigo não o abraçam. Por outro lado, nós brasileiros amamos abraçar, e dar um beijinho no rosto, exceto aquele famoso beijo falso no rosto que conhecemos bem. Porém eu,  mesmo sendo brasileira, não gosto muito de tais coisas, acho que "puxei" para o lado japonês, nesse sentido"; nota-se aí que eu disseminei múltiplas vozes! Usei a voz dos brasileiros, dos japoneses e a minha! Sem contar a voz cristã, ao fazer um intertexto com o episódio bíblico do beijo falso de Judas.   Bakhtin é o cara! Ele crê que Dostoyévsky explorou muito bem essa questão, bom quando terminar de ler “Crime e Castigo”  poderei dar minha opinião. Por ora, o protagonista do livro me deixa angustiada. A linguagem é dialógica, não se esqueçam disso!
Por fim, o professor explicou a atividade sobre o texto de L. F. Veríssimo, “Na barreira da língua...”. Neste texto, podemos observar a tal da polifonia em ação!

14 de Março de 2012


Hi my friends! Na aula de hoje, o professor falou muito sobre gêneros, foi a aula em que mais fiz anotações. O pessoal que disse que a coesão resolvia todos os problemas do texto pode ir tirando o cavalinho da chuva (ou retirar o filhote de eqüino da perturbação fluviométrica haha) , pois há muitos textos que não são coesos, porém funcionam.
Oh céus, e o agora? Graças aos céus, existem os gêneros, tudo depende da esfera a qual o enunciado pertence. E o que são gêneros? Grosso modo, eu diria que são tipos de texto.
E nós, ora ora, falamos por meio de gêneros e estes possuem funções sociais. O interessante é que nem todos podem falar determinados gêneros. Esta unidade textual-linguística que atavessa nossa vida é produto da elaboração de um certo grupo. Existem MUITOS gêneros, mas o provérbio não é um deles, só para constar. Produtos da necessidade da língua, os gêneros não circulam livremente. Para resumir: o mundo possui esferas (esfera escolar, familiar etc), estas definem um gênero específico, os textos se organizam em gêneros e a função social do texto e não o formato que dirá qual é o seu gênero. Isso me fez lembrar da metáfora do xadrez de Saussure novamente! Para deixar mais claro..., há um certo tipo de texto para nos comunicarmos na internet, o e-mail, por exemplo. Para me comunicar (ou tentar haha) com o Papa, obviamente não vou mandar um texto do gênero do e-mail. Na esfera escolar, eu uso textos do gênero: resenha, artigo, reflexão etc; em casa eu uso o e-mai, blog, bilhete etc. E precisamos usar os gêneros para TUDO! Estou falando com vocês, por meio de um! 
Mais informações? O professor vai falar na próxima aula, estou curiosa... talvez Maingueneau possa me ajudar!


19 de Março de 2012


Conitiwa (boa tarde em japonês) my readers! Ontem eu vi estrelas depois de ler trinta páginas do livro do Bakhtin! 
Mas, pude esclarecer algumas dúvidas! Percebi que fui infeliz na escrita da minha resenha, devo mudar alguns pontos!
Na aula de hoje aprofundamos a questão do enunciado, descobrimos que este possui três aspectos: campo, gênero e cenografia. Bem, isto de acordo com Maingueneau, que pelo visto é genial, por ter levantado a questão da cenografia.. Já  explico melhor, tenham paciência haha , eu divago demais.
Os dêiticos (dêixis) apareceram novamente, agora compreendo a relação deles com a questão da intertextualidade/dialogismo, afinal o dêitico deve ser interpretado considerando a enunciação, ou seja, o contexto no qual o enunciado é proferido. Engana-se quem pensa que por conta disso, o enunciado é “solto”, claro que não, existem regras de enunciação!
Tudo aquilo que dizemos obedece a um certo contrato.
            Voltemos às três características do enunciado:
Campo: a esfera na qual se insere, por exemplo, publicidade.
Gênero:a organização do texto, por exemplo, anúncio de produto
Cenografia: o modo como o enunciado é apresentado, a cena em que é proferido; por exemplo, uma moça conversando ao telefone. 
E sabe de uma coisa, o ser humano é “ninja” na arte de classificar enunciados! Sabemos que certo texto é uma receita, assim que nos vemos diante dele.
No entanto, existem gêneros que comportam textos que se apresentam como se fossem de outro gênero. Por exemplo, lemos um poema em formato de receita! Mas essa construção foi perfeita, já que queria passar a mensagem de que homens em série morrem nas guerras.
O que mais me chamou a atenção? A idéia de que todos nós encenamos a todo momento.
Na escola, sou aluna, em casa sou filha, cozinheira. Isso é verdade, nós temos a incrível capacidade de nos adaptar a determinado gênero. Somos camaleões!

21 de Março de 2012


Heey guys, cá estou novamente! Por que raios associo Maingueneau à mangueira? Mangueira de lavar o quintal ou mangueira de onde vem a manga? Haha, antes havia relacionado apenas ao primeiro sentido, mas acabei de perceber que existe esse outro, pois me lembrei do modo como os japoneses falam manga:  “mangô”. Eita, eu me lembrei da manga da camisa também!
            Aliás, porque estou falando de Maingueneau? O assunto hoje é Pêcheux! Mas, o texto “On a gagné” me faz lembrar de Maingueneau. Mais uma vez observo o fenômeno dialógico... Bakhtin. Bakhtin me faz lembrar do samba-rap do Caetano, samba me lembra carnaval, carnaval me lembra da escola de samba “Mangueira”, que me faz lembrar de...
Maingueneau.
            Pêcheux! O foco aqui é Pêcheux, que me lembra peixe, que remete à...
            Certo, acho que já abusei demais do interdiscurso! Vamos ao que realmente interessa, a aula de hoje! A leitura pressuposta para esta quarta é de Pêcheux, como eu já disse, li a análise “On a gagné” com muito entusiasmo! Já havia lido algo sobre esse enunciado, em um certo livro lido no semestre passado, mas foi apenas uma breve menção, me agradou conhecer os pormenores do episódio.  Me inspirou tanto que resolvi criar um poema acerca deste texto! Pois é, às vezes me vem uma louca vontade de transformar minhas interpretações em poemas.
            Antes de “entrarmos” no texto em questão, o professor nos situou um pouco sobre a perspectiva de Pêcheux, nos explicou algumas das características da Análise do Discurso (doravante AD). É claro que alguns pontos me chamaram mais atenção do que outros, quer saber quais são?  A curiosidade matou o gato! Bom, esse ditado que acabei de escrever veio à minha mente de súbito, agora é que resolvi pesquisar a origem dele e que coincidência (coincidência não, eu diria que é apenas mais uma prova da existência da memória discursiva) o dito provém da Europa da Idade Média! Os europeus não simpatizavam muito com os gatos pretos, então criavam armadilhas para eles, usando a curiosidade para atraí-los a fim de matá-los (que maldade, os europeus é que davam azar aos gatos pretos). Curioso, porque o professor iniciou a aula justamente falando dos europeus! Disse que os mesmos tem o costume de ler no inverno, em frente à lareira (fiquei com vontade).
            Sobre o que eu estava falando mesmo? Me perdi no entrelaçar dos enunciados! Ah sim, vocês querem saber quais pontos foram ao meu ver, relevantes. Creio que a concepção de sujeito é um ótimo tema sobre o qual debruçar-se. Pêcheux, pelo que eu entendi, fala sobre o sujeito assujeitado que fala a partir do que já foi falado, afinal de contas o discurso não tem origem. Somos assujeitados pela Ideologia, pelo Estado, pelas entidades. Vimos o que é ser sujeito, sob o ponto de vista de Saussure, Freud, Marx, Foucault (o autor com o qual mais me identifico, até agora) e Pêcheux. Mas, o que podemos “tirar” de todas as concepções é que falamos através do outro! Para Pêcheux o discurso não é individual e sim particular (falamos no interior de um grupo), o discurso à rigor não tem início e a legibilidade do texto depende de fatores como instituição, idade etc. Existem discursos estáveis (os científicos, por exemplo) e os instáveis (variam!), são discursos do último tipo que são mais interessantes para a AD.
Observemos então, um exemplo de discurso instáve! O enunciado “On a gangné” (Nós ganhamos!) foi proferido em Maio, na França após a vitória do candidato François Miterand nas eleições para presidente, tal enunciado é passível de vários sentidos, como bem mostra Pêcheux.  O leitor propõe uma leitura (que não pode ser “qualquer uma” evidentemente), a partir do particular (suas experiências, enquanto membro de um grupo, de uma sociedade), vivemos em um mesmo planeta guiado pelas mesmas entidades, mas o modo como construímos nossas vidas é diferente, por isso, a minha leitura não será a mesma que a de uma amiga, por exemplo. Acho que isso ficará melhor ilustrado no meu poema, voilá!

Gagné o quê?
Fraçois Mitterand venceu as eleições
On a gagné! Ganhamos!
Disseram os franceses
On a gagné o quê?
On , eu e você
Ganhamos, gagné!
Mas ganhamos o quê? Perguntou
Ah! Isso é com nosso amigo Pêcheux
O que é ganhar afinal de contas?
Não há respostas prontas
Há vários sentidos, caro leitor
Ganhamos um jogo, um presente, um resfriado?
Ora, depende ! Você diz de que lado?
Ganhamos espaço, um lugar, uma medalha?
Depende do lugar de onde você fala
Do que pensa, das concepções que adota
Se para você, Mitterand vencer
Foi na verdade , vitória ou derrota
Não há um sentido único, caro amigo cartesiano
Há vários sentidos, depende de seu campo
 On a gagné não é um discurso estabilizado
Ganhamos a eleição, o jogo.. Nada é controlado. 


26 de Março de 2012


Pois é, os torcedores do Corinthians devem ter gritado “On a Gagné”... infelizmente, nesse fim de semana.
Primeiramente devo dizer que morri de rir com uma piada sobre a morte do Senna! Que maldade! Não, prefiro adotar a ideia do professor, de que essas piadas são feitas como um modo de superar as dores de uma tragédia. Com certeza é melhor rir do que chorar! Ou melhor, chorar de tanto rir é mais proveitoso! Na aula, o professor falou um pouco sobre o português popular que é algo que também me interessa demais, lembrei-me daquele maravilhoso livro de Marcos Bagno (banho, haha ele me lembra banho, banho de mangueira? Não, Maingueneau de novo não!!!) “A língua de Eulália”!  Observamos um pouco do funcionamento de enunciados como “É dando que se recebe”, que é desprovido de objeto direto, o qual acaba sendo preenchido pelo leitor, de acordo com o contexto em que está inserido, comprovando que é necessário o contexto para saber o sentido que um dizer tem.
Depois, o teacher explicou o que de fato é “acontecimento” para a AD, já que lemos uma análise feita pelo próprio acerca de um episódio do Programa do Gugu, onde o apresentador entrevistada dois membros do PCC, que na verdade estavam mais para membros do PET (Programa Engana Trouxa)! Acontece, que a entrevista foi uma grande farsa! O acontecimento em questão (acontecimento, pois foi noticiado e inserido na memória discursiva do país, produziu outros discursos) gerou uma grande polêmica, isto é, surgiram vários discursos para dialogar com este. É muito interessante o modo como o uso de determinadas palavras pode mostrar posicionamentos!
Eu estou realmente apreensiva, pois terei que fazer uma análise também! Ainda não escolhi sobre o que vou fazer, mas estou lendo os jornais, em busca da polêmica perfeita haha.



                                28 de março de 2012


Hi my lovely readers!
Hoje( hoje = hoje mesmo haha), o Millôr Fernandes morreu!! Ele era um ótimo escritor e tradutor...e que pena, as aulas deste módulo estão acabando! Eu estava relendo os meus primeiros relatos sobre as aulas, percebi que as mudanças que sofri são nítidas. Hoje (hoje = época atual) tenho maior conhecimento sobre o “universo” dos textos, até refiz minha resenha e tirei uma boa nota (fiquei feliz demais!)! A análise de discurso é a linha teórica que quero seguir, sem sombra de dúvidas!
Na aula, o professor falou sobre Ideologia. O mundo é/gira em torno da Ideologia. Somos compostos pelo que acreditamos, pelo que é oferecido a nós e tudo que é oferecido (oferecido – e não é de graça haha, acho que até poderia trocar o termo para “vendido”) vem da alteridade. É verdade que não somos totalmente livres (e o que quer dizer “livre” para você?, estamos amarrados às ideias que se constituem diante de nossos olhares, às vezes impostas. Construímos nosso ser a partir e pela ideologia. Assumimos um ponto de vista como membros de algum grupo, em tudo o que fazemos, tudo!
O professor falou de Foucault (amo Foucault )!! Eu até fiz uma Ode ao Foucault, no ano passado.... veja:

Hey Foucault
Hey Foucault, eu, você, os outros
Nós estamos presos ao Poder e condenados a morrer,
durante o escrever.
Hey Foucault, estamos aqui nessa formação discursiva
Olhando para a ausência-presença do autor sem vida
Atravessados pelo inconsciente e pela ideologia
Hey Foucault, somos diferentes pela singularidade
Organizamos o 'já-dito' , mas não temos identidade
Hey Foucault... é a função-autor
Que faz circular o discurso que a sociedade legitimou..
Hey Foucault, Freud é do discurso, um fundador
Não é a origem, mas sim.. um disseminador
A partir dele, outros discursos o mundo transformou
Contestando ou aprovando o que ele ditou
Hey Foucault, aqui jaz um autor.

Vou deixar o meu lado tiete para lá, ok! Aprendi que as unidades discursivas não são nada pacíficas (desconfiei desde o princípio), por mais que tenham regras, estas regras são dispersas. De acordo com Foucaul, essas regras de dispersão agem entre si, e assim regem discursos de determinados campos do saber.
Posteriormente, nos foi apresentada a noção de Pêcheux/ Althusser sobre formação discursiva, ideológica e social. Pêcheux baseia-se no marxismo, ou seja, para ele a economia é o grande fator! A formação econômica diz respeito aos modos de produção e organização destes, esta formação influencia a formação social que diz respeito à família, às classes sociais etc; e essa relação, por sua vez, constitui a formação ideológica. Não temos acesso direto á ideologia, é através dos signos que essa ideologia se materializa, ou seja, através da formação discursiva! Esta não manifesta-se apenas nas palavras, mas também nas nossas atitudes/ relação imaginária com o mundo. Na verdade, não é você quem escolhe a ideologia, a ideologia é que te escolhe! Não há como fugir dela, você é ela! É por isso que uma palavra pode ter sentidos diferentes, dependendo a formação discursiva em que se encontra.

E onde há duas formações discursivas em confronto, há interdiscurso. Uau! Vejo interdiscurso por toda parte! Ele não se expressa apenas no confronto visível, como por exemplo no caso da ocupação/invasão dos estudantes da USP, em que há evidentes opiniões a favor e contra tal ato, mas também em qualquer texto. Veja só, se eu digo: “acho que o consumo de lanches do Mcdonalds é uma grande tolice!”, estou me opondo ao consumo! destes alimentos, me confrontando com o consumismo norte-americano e nem mencionei tal informação! Por isso que a análise do discurso é tão atraente! Uau!

02 de  Abril de 2012


Hi everyone! Hoje tive a última aula com o professor Sírio :'( it's so sad! Mas, o módulo foi fechado com chave de ouro! Aprendi mais sobre o sujeito *O* , o sujeito sou eu, vocês, minha mãe, a Dilma, o Michel Teló (haha, Michel Pêcheux e Michel Foucault estão se revirando no caixão, neste momento haha), o sujeito somos todos nós e ao mesmo tempo nenhum de nós. 
O que estou dizendo? Vocês logo entenderão (ou não rs). 
Existe uma concepção de sujeito muito combatida por Pêcheux, o tal do sujeito cartesiano instaurado a partir de René Descartés. Ora, como se constitui esse sujeito cartesiano? O sujeito cartesiano é racional,único, indivíduo, busca uma exatidão em tudo, busca a completude, a verdade. Na época em que nos encontramos, posso dizer que há o domínio de sujeitos cartesianos, todas as pessoas buscam uma verdade em tudo! Há um sentido único para o texto, dizem os livros didáticos (até parece que há uma ÚNICA e VERDADEIRA interpretação). O sujeito cartesiano de hoje crê que pode ser completo, pode ter segurança e estabilidade sempre, busca preencher seu vazio através do consumo excessivo de roupas de marca etc. Ele busca sua identidade (como se tivéssemos uma iden(-igual)tidade!) usando roupas da GAP, da Adidas, da Nike...e não percebe que na verdade está se igualando, se assujeitando à ideologia. Pobres iludidos...
Diz-se que esse sujeito cartesiano tem consciência de si, é responsável por todos os seus atos, que sabe pensar e agir razoavelmente. Então quer dizer, que seu eu digo a um amigo  "o ônibus vai passar às 13:00" e ele  perde o ônibus, porque pensou que o ônibus saia do ponto final às 13:00 e por isso chegou mais tarde ao ponto onde estávamos, a culpa é minha? Eu sei o que estou dizendo, mas não sei o que o outro vai entender. Aliás, eu penso que sei o que digo no momento. Entendem? Adotar essa concepção de sujeito implica em dizer que a sociedade é um lixo, porque as pessoas são um lixo. Mas a coisa não é bem assim..
Por isso, Pêcheux fundamentou outra noção de sujeito! A ideia do autor corresponde à noção do sujeito assujeitado, um sujeito que é segundo em relação às ideologias , ele é efeito de um conjunto de condições que o tornam um sujeito de determinado tipo. O mundo nos é dado com suas leis próprias, valores próprios, somos meio que "jogados" nesse emaranhado de ideologias e nos constituímos nas e para elas. Somos subjects  (sujeitos, servos, sujeitos à ideologia). Somos submetidos ao mundo, desde que nascemos. Meninas usam cor-de-rosa e meninos usam azul, por quê? Podem perceber, não temos muita liberdade para escolher tudo o que queremos, e até para escolher nos são dadas escolhas ditadas pelas ideologias. 
Aí passamos a Foucault (*-*) com a concepção de subjetivação. De acordo com o que o professor explicou, somos subjetivados na época em que vivemos, no interior de algum lugar da sociedade. Foucault faz alusão ao aquário, nós vivemos em um grande aquário, uma realidade relativa. ACHAMOS que temos liberdade, mas na verdade vivemos em função das ideologias. Isso me lembrou do filme "Matrix"! Hoje vejo que tudo se relaciona ao Poder, essa é a grande questão... nossa relação com o Poder.
Me lembrei de "Jogos Vorazes" também...
E o que a língua tem a ver com isso? Ora, a língua como eu já disse, é o meio pelo qual a ideologia se expressa. Ora, se a língua(gem) possui falhas, a ideologia também tem! Por isso que a AD analisa os considerados "erros" da língua(gem). É neste local (na linguagem) que o sujeito escapa das rédeas da ideologia, é na "falha" que de fato "falamos". 
Agora é hora de mencionar outro querido autor! Freud! Com ele temos a questão do inconsciente, para o psicanalista, nossa mente é constituída por três instâncias : Id (responsável pela libido, atos impulsivos, desejo, digamos que é o "irmão rebelde"), o Ego (é racional, mas  atravessado pelo inconsciente) e o Superego (que controla a moral, os princípios). Muitas das coisas que fazemos (se não em tudo) muitas vezes não é consciente, pode-se perceber isso mais claramente, através da linguagem. 
Uma das facetas desse sujeito assujeitado é a figura do autor. 
Haha, desse eu gosto de falar! Já escrevi uma longa reflexão sobre essa criatura! 
Bem, vamos lá... após ler o texto "O que é um autor" de Foucault (no ano passado, como vocês sabem), a noção de sujeito para mim ficou sendo como a de : um meio de circulação das obras.
E é justamente sobre isso que o professor falou hoje.
Antigamente, o nome do autor para as ciências exatas era de extrema importância, por outro lado no campo das humanidades, uma obra não precisava ter o nome de quem  a escreveu. Por isso há a grande discussão "Shakeaspeare realmente escreveu todas aquelas obras? Quem era Shakeaspeare? Era esse homem de quem falam ou era outro?". A questão é que hoje em dia as coisas se reverteram, é importante que haja o nome de um autor na literatura, já nos artigos científicos o nome do autor não tem relevância alguma. O mundo dá voltas!!
Se descobríssemos, como exemplificou o professor, que "Dom Casmurro" foi escrito por José de Alencar e não por Machado de Assis, leríamos o livro de forma completamente diferente. Haha, o professor até brincou: "se Capitu não traiu Bentinho, Machado de Assis era José de Alencar", eu ri demais mas não acho que a Capitu tenha cometido traição (nem que Machado seja Alencar haha). Ou seja, a noção de autor vem depois da obra,  saber a biografia do autor não vai interferir na minha interpretação. A pessoa Machado de Assis não é o autor Machado de Assis. E o narrador por sua vez, não é o autor. Enquanto Machado escreve, ele é autor, o narrador é outro e ambos morrem quando surge a figura do leitor. A autoridade de Machado sobre seu texto acaba com ele mesmo, pois a partir do momento em que alguém o lê, quem dá o sentido à obra é esse leitor. Machado não controla o sentido do texto ante a outros leitores. 
Tiramos 4 pontos principais do texto de Foucault, temos as seguintes noções:
1) Apropriação: o autor como responsável por sua obra, como meio de circulação do discurso. 
2) Diferença de funcionamento da autoria nos diferentes campos (como já falei)
3) A ideia de autor não é automática, ela é dada a posteriori e a  partir da obra. 
4) O sujeito é disperso , é o que já comentei sobre as múltiplas vozes por exemplo.

O professor deu um exemplo muito bom, que ilustra esses pontos. Se um matemático escreve um livro e na "Apresentação" deste conta sua biografia, ele utiliza uma voz. Mas, ao propor exercícios de matemática durante o livro, ele se esconde e fala o discurso da matemática. Utiliza-se da máscara deste dizer.
Estamos sempre fazendo tal coisa!
E terminamos a aula falando sobre Maingueneau!!!
Em "Discurso Literário", o autor separa a noção de escritor da noção de autor (nossa, que frase confusa haaha). Diz Maingueneau (Maingueneau não, múltiplas vozes dizem e já disseram) , que o autor tem uma tripla face, cada face depende uma da outra. Que faces são essas?
- Pessoa: tem uma vida civil, família etc. Tem uma vida "normal". 
- Escritor: possui uma vida de escritor na sociedade, distribui autógrafos, concede entrevistas etc;
- Inscritor:  é enunciador de textos literários, tem um estilo/modo de se inscrever na vida literária.

A pessoa circula por esses três níveis e estes se encobrem, se complementam. Por exemplo, o professor contou que certa vez, Émile Zola (escritor francês considerado o maior representante do Naturalismo) fora convidado para um jantar e todos os convidados do evento pensavam que este estava observando-os com o olhar de escritor, haha. Perguntando-se "como será que seremos retratados no próximo livro de Zola? Como convidados chatos de um jantar chato? 
As pessoas tem essa mania de confundir a pessoa com o autor, eu mesma fazia isto, até entrar no curso de Letras, é claro. 
Enfim, foi bom enquanto durou... vou sentir saudades de relatar as maravilhosas aulas.
Gostei de todas elas e pelos meus posts, dá para perceber o quanto aprendi! Só tenho a agradecer ao professor por ter nos oferecido conhecimento, riso e sobretudo vontade de aprender ainda mais.








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